Opinião
Potenciais latentes
Turismo, cultura e história formam um tripé básico para negócios em todo o mundo ? e isto há séculos é entendido e praticado no chamado mundo civilizado. Alagoas é um dos Estados brasileiros com mais potencial para exploração produtiva deste tripé, associado, com especial força, pelo irresistível poder de atração das belezas naturais. Um quadrilátero de ouro, poder-se-ia dizer. Na semana passada, um barco subiu o Rio São Francisco na intenção de refazer o itinerário de Dom Pedro II, quando percorreu, em dezembro de 1859, um roteiro que se estendeu da foz até a cachoeira de Paulo Afonso, tendo como paradas privilegiadas as áreas urbanas situadas nas margens alagoanas do Velho Chico. Um tesouro de referências históricas e de paisagens paradisíacas onde continuam incrustadas cidades e povoados de particular beleza. Nada mais justo que tal rota seja revitalizada com todas as vantagens oferecidas pela tecnologia contemporânea. E muitos mais roteiros podem e devem ser feitos em Alagoas, vários refazendo os passos de grandes personagens da história do Brasil como Zumbi; e/ou Calabar... E o grande achado seria turbinar um trunfo verdadeiramente alagoano, em fusão com um dos acontecimentos mais marcantes de toda história brasileira ? a Proclamação da República. Afinal, Deodoro e Floriano aqui nasceram e aqui vivenciaram momentos importantes de suas vidas. Esses dois roteiros, únicos e profundamente associados à nossa nacionalidade, teriam suas versões na atual cidade de Marechal Deodoro (onde a história dos Fonseca é assaz atrativa), Maceió (especialmente Ipioca) e Murici (onde Floriano administrou, nas folgas da farda do pós-guerra do Paraguai, dois engenhos de açúcar). O Roteiro da República, via a vida desses dois marechais, é um enorme potencial inexplorado. E outros existem, todos à espera de reconhecimento.