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Reflexão

Feminicídio & Economia

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Segundo Norbert Elias, sociólogo judeu-polonês (1897-1990), a civilização exige o controle das paixões e das pulsões violentas. Quando esse autocontrole falha, ocorre uma regressão à barbárie. Para enfrentar esse problema, apenas um conjunto de abordagens pode alcançar êxito. E é assim que a humanidade vem evoluindo. Mas esse processo não se esgota.

Infelizmente, no Brasil, não enxergo solução em curto prazo sem envolver todas as necessidades de quem precisa de proteção: as mulheres. O enfrentamento desse problema, que já envolve políticas de assistência social e medidas punitivas, como o fim da progressão de penas e a imposição de tornozeleiras eletrônicas desde as primeiras denúncias, cerca a questão, mas, por si só, não a resolverá.

Num país com graves carências sociais e oscilações econômicas, que não consegue manter taxas consistentes e sustentáveis de crescimento, deixam de surgir oportunidades e progresso em sentido amplo. Situações semelhantes são observadas em países como Honduras, República Dominicana, México e El Salvador, que apresentam contextos sociais, educacionais e econômicos parecidos com o nosso, marcados por grandes vazios e profundos fossos sociais.

As famílias enfrentam carências de toda ordem, problemas de saúde e dificuldades para suprir necessidades básicas. Por trás de tudo isso, há pessoas fragilizadas. A situação é ainda mais grave em uma cultura familiar predominantemente sustentada pelo poder financeiro masculino, que muitas vezes se transforma em instrumento de dominação e violência. Aliado à força física, esse poder induz alguns homens a se considerarem “donos de tudo”, acreditando que “podem tudo”.

A mistura de uma cultura ainda marcada por traços medievais, da baixa escolaridade e de estruturas familiares frágeis, somada a um ciclo econômico incapaz de promover crescimento, impede também a evolução da população em diversos aspectos. Nesse contexto, quem ocupa a posição mais vulnerável em uma cultura machista? A mulher, a filha, a namorada, a esposa.

Nesse ponto, sem abrir mão de todas as ações assistenciais, das medidas preventivas e do aperfeiçoamento da legislação penal, o que realmente pode ser decisivo no enfrentamento do feminicídio?

Autonomia e independência financeira para as mulheres. Mais do que isso: que esse processo comece ainda na juventude, no início da vida profissional. É preciso capacitá-las nas áreas com as quais se identificam, conciliando vocação, necessidades econômicas, empregabilidade e, inclusive, seus sonhos de empreender.

Capacitar as meninas. Incentivar suas aptidões. Movimentar a economia nas periferias. Esse é o caminho. Esse é o verdadeiro match entre necessidade social, capacitação, geração de renda, independência financeira, respeito, dignidade e proteção à vida.

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