Opinião
Muda-se de atitude quando se aprende a pensar
O mundo exterior oferece à humanidade a lição das coisas e dos objetos. A abundância das coisas que o mundo atual nos oferece é tamanha que afoga a nossa maneira de pensar. Os objetos são fugazes, sendo produzidos para satisfazer as infinitas necessidades que temos e criamos das coisas e objetos que continuam saindo das mãos de Deus. Aprender a pensar inclui a tarefa de distinguir as coisas dos objetos. Podem as coisas educar-nos sob diversos aspectos. Podem despertar-nos para a curiosidade. O grande Teillard de Chardin, ao tomar uma pedra em suas mãos emocionava-se, interrogando-se pelos bilhões de anos que ela carregava dentro de si. Sabemos, hoje, da existência de um mundo de informações dentro das moléculas de uma pedra. Não deixam as coisas de ser uma escola de aprendizado, desde que despertemos nosso sentido de pergunta. Educam-nos as coisas o sentido de observação. Comentava celebrado escritor americano que seu filho adolescente, envolvido por estímulos artificiais, virtuais, ao contemplar o céu estrelado, lhe perguntava: meu pai, onde estão os satélites que os sábios lançaram no espaço? Na base de muitas descobertas científicas está a lenta, paciente e persistente observação da realidade, até que, em dado momento, explode a intuição criativa. Existe uma sabedoria das coisas. Há uma riqueza simbólica, escondida nas suas entranhas, já que criadas por Deus. Abrem elas o caminho para o saber, para a contemplação, para a mística. A maior lição das coisas é ensinar-nos a contemplar. É aprendendo a contemplar que modificamos nossa atitude diante das coisas. É criando o hábito dialético do sim e do não que iremos adquirir a argúcia de pensar. Foi, por isso, que sempre usei em minhas aulas o exercício de explicar frases antitéticas, ou, aparentemente, contraditórias, praticando o jogo da igualdade e da diferença. Jesus lutou até a morte para que o ser humano aprendesse a pensar. Só aprendendo a pensar o ser humano se revela, também, senhor de suas ações. Só aprendendo a pensar o ser humano aprende a ser mais para ter sem avareza, para ser solidário para com os outros, ainda que sejam os sem nada na vida ou os com tudo nas mãos. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da academia Alagoana de Letras.