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Olimp�ada e viol�ncia

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Chocaram o mundo as cenas de violência perpetradas no Rio de Janeiro, causando repercussão adicional em função da escolha da Cidade Maravilhosa para sediar as Olimpíadas de 2016. Vozes multiplicaram-se, principalmente pela internet, de forma direta ou indireta, a criticar a escolha do Rio de Janeiro para receber os Jogos Olímpicos. Uma estupidez que não deve ser confundida com a crítica às autoridades cariocas e brasileiras pelo escalada (impune) do crime organizado em todo Brasil; e essa crítica, contundente, deve ser mais incisiva ainda em função dos problemas que tamanho descalabro podem causar a imagem do Brasil no exterior, exatamente por tamanho desmando ter como cenário o sítio no qual as Olimpíadas virão a acontecer em 2016. Exigir um basta a essa situação de predominância do crime organizado é um dever cidadão, independente do que qualquer cidade brasileira venha a sediar de interesse internacional. O primeiro e principal motivo da intolerância radical à desenvoltura do crime organizado é a paz, enquanto valor cotidiano e inalienável, para os próprios cidadãos. E, ao mesmo tempo em que não se baixa a cabeça para os bandidos, igualmente não devemos nos curvar frente a uma ilusória distância do Rio de Janeiro, em termos de violências nas vias públicas, para as outras cidades que disputaram ou mesmo foram anteriormente escolhidas para sede dos Jogos Olímpicos. Afinal, não faltaram denúncias consubstanciadas contra Pequim (sede dos jogos em 2008); e, em Londres (sede para 2012), além dos atentados terroristas, um brasileiro foi fuzilado em público ? por engano (!). Problemas o Rio e o Brasil têm de sobra. E devemos exigir soluções, com ou sem Olimpíada. Mas isso não pode ser confundido com autodepreciação, nem muito menos animar-nos como torcida contra nós mesmos.

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