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A concess�o do pr�mio Nobel da Paz

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Fomos todos surpreendidos, semana passada, com a concessão do prêmio Nobel da Paz ao recém-chegado presidente norte-americano. Ora, estamos falando do Presidente dos Estados Unidos da América e não de um país qualquer. A demora de duas horas, após o anúncio do prêmio, para que houvesse qualquer sinal de reação na Casa Branca, demonstrou que ganhar o Prêmio Nobel da Paz não estava sendo esperado. A maioria dos cidadãos deste planeta tem-se perguntado estes dias: Barack Obama tem méritos para receber o prêmio Nobel da Paz? Várias enquetes divulgadas pela internet apontam uma divisão quase exata entre o sim e o não. As opiniões dividem-se de um polo a outro, o que é comum em situações extremas, em que ambas as respostas contêm verdades. Há nove meses no governo, Obama já demonstrou posturas firmes em diversos assuntos, sendo aprovado por mais da metade dos americanos, apesar dos tempos de crise. Outros dizem que ele tem feito esforços importantes para estabelecer a paz e deverá fazer muito mais no futuro próximo, reforçando a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos. Para muitos, entretanto, a guerra do Iraque e do Afeganistão, entre outros conflitos, são ponderáveis argumentos contrários. Os EUA julgam-se árbitros do mundo. É comum afirmar-se que a cultura estadunidense tem fascínio pelas armas e conflitos armados. Se grande parte do triunfo de Obama deve-se aos equívocos do seu antecessor e à sua decisão de romper com essa linha, a mão pesada do julgamento mundial não será menos severa com seus erros. Certo ou errado, ele passará à galeria de grandes nomes que já receberam essa honraria: Martin Luther King, Madre Tereza de Calcutá, Dalai Lama, Nelson Mandela, entre outros. Vivemos o século dos avanços da ciência, da tecnologia e da informação em escala planetária. A internet conecta povos do mundo inteiro. A par disso, se no século passado amargamos duas grandes guerras mundiais, centenas de outras guerras menores e bombas atômicas foram jogadas; numa outra vertente, já no século 21, milhares de seres humanos morrem no Iraque, no Afeganistão e nos campos de refugiados. A miséria e a violência continuam aumentando em escala geométrica. Se o prêmio foi concedido como incentivo pelo que Obama ainda pode fazer ? torna-se compreensível. Embora, como diz o cronista Rui Tavares: ?Não se deve canonizar o santo antes dos milagres aparecerem?. Pela vida e pela paz. Shalom! (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.

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