Opinião
Caminho inverso
O aquecimento global é, talvez, o problema da humanidade de mais difícil solução. Nascendo 300 mil pessoas/dia, todos com direito a cidadania, precisaremos de mais habitações, alimentação, escolas, transportes, trabalho, hospitais, diversão e tudo isso requer energia. Dos atuais 6 bilhões de habitantes, um terço não têm acesso ao sistema energético cidadão. Cientistas nos mostram que já ultrapassamos os limites de crescimento da Terra, quando nos referimos aos seus recursos naturais. O efeito estufa é um dos principais responsáveis pelo aquecimento global e, 57% dele são devido à produção e ao uso da energia. Portanto, esse é um setor que requer o máximo empenho e a solução sempre mostrada é que devemos investir em fontes de energia limpas e renováveis. Mas o que significa isso em cada País? No Brasil, a questão energética tem que ser vista sobre vários enfoques. No da segurança, não pode faltar energia para não frear o desenvolvimento. Na modicidade tarifária, é preciso que o consumidor tenha condições de pagar a conta. Na universalização dos serviços, todos os nossos irmãos brasileiros devem ter direito a um ponto de luz, seja lá onde estiverem morando. No ambiental, essa energia deve ser produzida com a menor agressão possível ao meio ambiente. E no enfoque geopolítico estratégico devemos fugir da dependência de suprimento e das oscilações de preço de energéticos externos. Função do imenso potencial hídrico, dizemos que nossa matriz elétrica é limpa, com 85% renovável e 15% não-renovável. Mas, por incrível que pareça, a nossa tendência é ?sujar? essa matriz. A hidrelétrica é hoje a nossa geradora de base, mas justamente pela questão ambiental não poderemos mais construir grandes reservatórios na Amazônia. Assim, os rios perdem a regularização e o sistema deixa de ser predominantemente hídrico para ser hidrotérmico. Até 2017, já está autorizada para o Nordeste a implantação de térmicas a óleo, gás e carvão com potência superior a das nossas hidrelétricas da região. As chamadas fontes alternativas, bagaço de cana (funciona apenas na safra), eólica (funciona 35% do tempo) e solar (muito cara, baterias à noite e no período chuvoso), são na verdade energias complementares e não podem ser consideradas como geradoras de base. Dentro dos enfoques colocados acima, nossa eletricidade futura terá gás natural do Pré-sal, carvão nacional e nuclear na base, e só essa última é considerada limpa. (*) É secretário de Estado-adjunto de Minas e Energia.