Opinião
Vladivostok, no extremo oriental da Sib�ria
Percorrendo quase 10 mil km, a partir de Moscou, no lendário trem transiberiano, na ferrovia mais longa do mundo, (mais de três vezes a distância Maceió ? São Paulo) após alguns dias de viagem, avistei Vladivostok, no extremo oriental da Sibéria. Vladivostok é a cidade mais longínqua, dos cinco continentes, que tive a oportunidade de conhecer. No inverno chega fácil, fácil, a 40, 50 graus abaixo de zero. É conhecida como a grande geladeira, o big freezer. Assim é divulgada pelo seu povo, formado por russos, ucranianos, armênios, chineses, japoneses e coreanos. A sua atividade econômica e cultural gira em torno de três grandes polos de desenvolvimento: o porto, que abriga poderosa frota de 80 navios de guerra (até 1991 com a guerra fria entre a União Soviética e o Ocidente era proibido a visita de estrangeiros à cidade em função da Base Naval de Segurança Máxima). O porto, tem ainda, forte indústria pesqueira e transporte marítimo. A estação ferroviária, cujos trens se ligam, não só a Moscou, Novosimbisk, Capital da Sibéria Ocidental, Ekaturinburg, (aqui foi assassinado o Czar Nicolau 2º, esposa e filhos) e a Ulan-Ude onde a ferrovia se bifurca para Ulaabantour, capital da Mongólia, de Gengis Khan, atravessando o deserto de Gobi, daí para Pequim, passando pela Muralha da China. Condutores de trens contam histórias de ursos e lobos, brincando nos trilhos, desafiando os trens em alta velocidade, atravessando os campos gelados, as famosas estepes transiberianas. Vladivostok tem reconhecidas academia de ciências e universidade, teatro, balé clássico, com belas mulheres, olhos azuis anil e azuis turquesa,puxadinhos à oriental. Andando pelas ruas da cidade, uma Maceió gelada, com quase um milhão de habitantes, fui descobrindo hotéis de nomes estranhos: Novorokod, Amursky Zauv, As fes-Seyo, e menos estranhos, Vladi In e Vladivostok Hotel. Vladivostok também tem história. Durante a Segunda Guerra Mundial, soldados siberianos ajudaram a ganhar o conflito. O célebre espião Richard Sorge, confidente do embaixador alemão em Tóquio, ouviu que o Japão não mais atacaria a Rússia. Sorge, na verdade, agente da famosa KGB, foi a Moscou e revelou o valioso segredo a Stalin, que deslocou várias divisões do exercito russo, de Vladivostok para Stalingrado, onde infligiu a primeira derrota aos exércitos de Hitler. Foi o começo do fim do Terceiro Reich. (*) É promotor público aposentado e ex- governador do Estado de Roraima.