Editorial
Projeções otimistas
A revisão para cima da projeção de crescimento da economia brasileira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), de 1,9% para 2,4% em 2026, reforça a percepção de que o País mantém capacidade de expansão mesmo em um cenário internacional adverso. A melhora das expectativas, uma das mais expressivas entre as economias do G20, reflete a resiliência da atividade econômica e fortalece a confiança na condução da política macroeconômica.
O ambiente externo, porém, continua cercado de incertezas. O próprio FMI reduziu sua previsão para o crescimento global, alertando para os efeitos da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, da inflação persistente e dos riscos associados às cadeias de suprimentos e aos preços da energia.
Embora o Brasil possa ser favorecido pela valorização do petróleo por ser exportador da commodity, esses ganhos não eliminam os desafios internos de controlar a inflação, reduzir o custo do crédito, ampliar os investimentos e elevar a produtividade.
Transformar projeções otimistas em crescimento sustentável dependerá, portanto, da continuidade das reformas, da responsabilidade fiscal e da capacidade de aproveitar oportunidades abertas pela transição tecnológica e pelo novo cenário internacional.