Opinião
Uma migalha para n�s!
Poucos dias depois da queda de um dos helicópteros da PM no Rio de Janeiro, caiu também o único que tínhamos no Estado. O do Rio, comprovadamente foi abatido pelo tiroteio emanado dos morros cariocas coalhados de marginais. O nosso único e solitário helicóptero disponível para ajudar a polícia, não foi vítima da ação dos bandidos. As possíveis causas poderiam ser defeito mecânico (mal menor),ou falta de combustível, coisa dificílima de aceitar diante da situação de belicosidade em que vive a cidade de Maceió. Para substituir o helicóptero abatido no Rio, o governo federal imediatamente garantiu repor um novo helicóptero, desta vez blindado; que a realização da Copa do Mundo de 2014 e das olimpíadas de 2016, criou grandes expectativas e imensas atenções internacionais sobre a cidade; daí, as autoridades não querem passar um vexame gigantesco de dimensões mundiais; consequentemente alardeiam: para o Rio vão escancarar as burras dos cofres públicos, inclusive para segurança pública. Enquanto isto, para Alagoas, ninguém ouviu falar que o governo federal terá as mesmas boa vontade e presteza em repor o único helicóptero que existia. A latere, incansável, o dedicado e competente delegado Marcílio Barenco, pediu uma reunião emergencial com o Conselho de Segurança que teve como única reivindicação a sua justíssima solicitação para a liberação de um pouco mais de recursos destinados ao combate ao tráfico de drogas entre nós. Quem acompanha o dia-a-dia alagoano não tem dúvidas de que o delegado Barenco e sua equipe são sérios, corajosos e eficientes. Maceió, provavelmente, jamais será sede de nenhuma olimpíada, nem mesmo de um joguinho fraco da Copa do Mundo de 2010; mas em violência não perde para nenhuma cidade brasileira e a maldita não tem dado trégua a ninguém, seja na periferia, seja nas regiões mais nobres da cidade. Diante desta realidade draconiana, que torna Maceió uma pequena Rio em termos de violência e insegurança, por que não devemos receber das autoridades públicas federais também um pouco dos muitos recursos a ser liberados para o Rio? Uma migalha do que vai para o Rio de Janeiro já deixaria Barenco e sua equipe muito felizes e dar-lhes-ia outras condições de trabalho. Embora todos saibam que o projeto duplo Copa-Olimpíada não é só um projeto esportivo de magnitude gigantesca, mas é também um projeto político continuista, tudo bem, é o nosso práxis politicus ? desde que as outras cidades que penam com a violência, como Maceió, não sejam largadas às feras. (*) É médico e professor da Uncisal.