Opinião
O inimigo n�mero 1
Durante muito tempo, toda vez que um chefe da Polícia Federal em Alagoas falava sobre suas metas e objetivos de trabalho, uma coisa era certa: a prioridade número um era enfrentar o tráfico de drogas. Claro que isso continua sendo uma prioridade. Mas é alentadora a novidade na entrevista do superintendente da PF alagoana, publicada nesta edição: o delegado Amaro Vieira aponta que sua prioridade absoluta é o combate à praga da corrupção. Para o xerife da PF, o Estado precisa de atenção redobrada na fiscalização do uso do dinheiro público. Segundo ele, é para essa demanda que sua atenção estará o tempo todo voltada. Se antes, estávamos mais preocupados com os traficantes, agora parece que a PF sabe que isso merece combate sem trégua, mas as forças estaduais podem se dedicar à tarefa com eficiência. Depois de ser palco de uma das operações estaduais de maior alcance no país ? a Operação Taturana ?, Alagoas terá certamente novas ações para o ataque contra o desvio dos recursos do erário. Ao mesmo tempo, o novo superintendente avisa que não haverá abusos no tratamento de eventuais investigados. Ele faz questão de ressaltar na entrevista que não permitirá a exposição de pessoas que ainda estejam na condição de investigadas. É também um bom sinal. Numa democracia, tudo deve ser fiscalizado e investigado quando das suspeitas de ilegalidades, mas isso não pode acontecer sob o preço do desrespeito a direitos constitucionais. Sem ?espetaculosidade? e longe de comportamento leniente, as chances de êxito nas ações aumentam consideravelmente. Se suas ações vão seguir aquilo que verbaliza, então o delegado Amaro Vieira poderá escrever seu nome na história do Estado. Se houver novas operações, que sejam em defesa de Alagoas.