Opinião
Inf�ncia roubada
Notícia com repercussão nacional, a prisão de um menor com 12 anos de idade, por tráfico de drogas, em Maceió, expôs, mais uma vez, a dramática realidade brasileira. O menor detido tem a idade na qual dever-se-ia ser designado como ?criança? ou ?garoto?, mas chamá-lo assim pareceria ironia, pois esse brasileiro de apenas 12 anos foi excluído do mundo das crianças muito antes do momento da detenção. O que fazer para recuperá-lo? Teremos instituições capazes de operar esse salvamento? A vida tem mostrado que não. E, o pior, a vida nos tem mostrado que cresce cada vez mais a participação de crianças no mundo do tráfico. Do ?aviãozinho?, falsamente apresentado como ?parcialmente? engajado nas quadrilhas, aos ?soldados? armados até os dentes, as imagens colhidas pelas reportagens não deixam espaço para dúvidas: o tráfico está engolindo milhões de crianças pobres em todo País. O gigantismo do tráfico, com todos os seus horrores, tornou-se um problema urbano brasileiro. Problema dentro do problema, a participação crescente de crianças nas fileiras dos bandos de traficantes, precisa ter uma atenção especial por parte das autoridades. Os deploráveis depósitos aos quais são confinados os menores delinquentes precisam ser imediatamente revistos e eliminados por contraproducentes; ao invés de recuperarem, fazem afundar ainda mais àqueles que lhes são jogados entre os muros. Falar em reeducação soa como ironia, pois a maioria das crianças expostas aos tentáculos do tráfico sequer tiveram algo que possa ser chamado de educação. Educação pública em tempo integral com foco especialmente voltado para as populações de baixa renda seria um bom começo (alguém ainda se lembra dos Cieps, dos Caics?). Sem políticas públicas nesta direção, qual esperança restará a essas crianças das quais roubaram a infância?