LIDERANÇA
Liderar para transformar: quando mulheres mudam o jogo na tecnologia
A baixa diversidade de gênero em posições de liderança ainda é uma realidade recorrente no mercado corporativo. Em muitos contextos, especialmente em setores estratégicos, a presença feminina segue sendo minoritária. Esse cenário se intensifica na indústria de tecnologia, onde o déficit de representatividade se torna ainda mais evidente.
Nesse ambiente, mulheres à frente da gestão de uma área, de uma marca ou de uma empresa tendem a equilibrar múltiplas dimensões corporativas e pessoais. São cobradas por entregas de alto impacto, enquanto administram responsabilidades que vão muito além da vida profissional. Essas dinâmicas coexistem, sobrepõem-se e exigem um malabarismo constante, cujo peso nem sempre é visível para o mercado e que impõe desafios adicionais à equidade.
Há, ainda, uma dimensão menos discutida, mas recorrente: a necessidade constante de validar o próprio pertencimento. Essa realidade é sustentada por dados concretos. Embora as mulheres representem a maioria da população brasileira, ocupam apenas 38% dos cargos mais estratégicos, segundo o relatório Women in Business 2024, da Grant Thornton. No setor de tecnologia, esse percentual é ainda menor, chegando a cerca de 20%, de acordo com a Brasscom. Além disso, apenas uma em cada cinco jovens no Brasil opta por carreiras nessa área (Censo da Educação Superior – Inep/MEC). Ou seja, a baixa representatividade não é pontual, mas resultado de um histórico estrutural de um setor construído com pouca diversidade.
Ao olhar para o Nordeste, porém, há um contraste interessante. Apesar das desigualdades, a região consolida-se como um dos principais polos de inovação e telecomunicações do país. Ecossistemas como o Porto Digital, no Recife, e centros tecnológicos em cidades como Campina Grande colocam o Nordeste no centro da transformação digital brasileira. E esse movimento já começa a se refletir na participação feminina. Nos últimos anos, o número de mulheres atuando nesse segmento cresceu cerca de 60%, de acordo com dados do Caged. A região não apenas acompanha essa transformação, como também tem a oportunidade de impulsioná-la de forma mais diversa.
Quando novas estruturas estão sendo construídas, há mais espaço para criar também novos modelos de liderança. O setor de tecnologia ganha escala, especialmente fora dos grandes centros, o que abre uma oportunidade única de crescer já incorporando a diversidade como valor estrutural, e não como uma correção tardia.
Mas esse avanço depende de um esforço conjunto entre empresas, poder público e instituições de ensino, além de iniciativas que incentivem a formação, o desenvolvimento e a permanência das mulheres no mercado de trabalho. Redes de apoio, programas de capacitação e lideranças comprometidas com a diversidade são elementos fundamentais para acelerar essa transformação.
Organizações que adotam políticas consistentes de inclusão entendem que a equidade não é uma utopia, mas uma decisão da liderança. Na Vivo, essa intencionalidade se traduz na prática por meio de vagas afirmativas, do fortalecimento de nossos grupos de diversidade e do compromisso de oferecer apoio e oportunidades reais para que as mulheres avancem. Os resultados dessa postura são visíveis. Quando cheguei à Regional Nordeste, apenas um quarto da nossa liderança executiva era formado por mulheres. Hoje, somos maioria. Esse avanço nos levou a superar todos os indicadores de diversidade de 2025 da regional, com destaque histórico para a liderança feminina e a representatividade racial.
Garantir que nossos talentos locais sejam protagonistas de suas próprias histórias vai muito além das estatísticas. É uma mudança de patamar, de cultura e de mercado. É o que transforma a dinâmica das decisões, amplia perspectivas e cria um ambiente em que outras profissionais conseguem se enxergar e projetar seu futuro.
A presença feminina tem efeito multiplicador. À medida que as mulheres ocupam espaços de liderança, novas trajetórias tornam-se possíveis, e o que antes era isolado passa, gradualmente, a ser coletivo.