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Opinião

Escor�o hist�rico

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Numa distante manhã no início dos anos 70 do século passado, os doutorandos de Medicina acordariam com a notícia de um acidente sofrido por um dos colegas. Em estado grave foi internado na Clínica Neves Pinto. Angustiantes horas se passariam até a chegada de uma equipe de neurocirurgia do Recife. Sem qualquer exame complementar mais acurado, o moribundo foi operado, morrendo horas depois. A partir de 1972, o jovem neurocirurgião Abynadá Lyro iria ocupar essa lacuna desdobrando-se para atender o Pronto Socorro Municipal da Dias Cabral, Santa Casa de Misericórdia ? onde se fixou desde então ? além de outros hospitais. Em dezembro de 1976 retornei ao torrão natal e unindo-me ao pioneiro, segui seus passos no célebre HPS e na centenária Santa Casa de Maceió. A tomografia computadorizada ainda era um sonho distante, quase inalcançável. Vale registrar que a primeira unidade instalada no Brasil (1974), doação à Santa Casa do Rio de Janeiro, deveu-se à interferência de Lucy Geisel, filha do general presidente, ela cliente do famoso Paulo Niemeyer. Entre nós, os empenhos de Lyro e do criativo radiologista Eduardo Jorge Silva, viabilizariam uma série de exames complementares que conferiam segurança diagnóstica dentro das concepções da época. Salvo os raros tomógrafos em alguns Estados, fazia-se em 1976 aqui o que era realizado na maior parte do País. Não obstante, tínhamos o nosso calcanhar de Aquiles: faltava-nos uma UTI. Em 1978, a medicina alagoana daria outro salto de qualidade com a instalação da cirurgia cardíaca. Com efeito, uma equipe completa de cirurgiões, auxiliares, hemodinamistas e intensivistas materializaria anseios da comunidade médica, dando início a uma moderna UTI, cujo funcionamento revelou-se imprescindível não só para procedimentos neurocirúrgicos. Acerta quem diz que a Medicina divide-se entre antes e depois das UTIs. Com um histórico de mais de trinta anos de atenção a uma clientela de origem variada, sobretudo carente, não deixa de ser irônico a neurocirurgia da Santa Casa de Maceió estar excluída do atendimento regular a pacientes do SUS. De longe, com a mais desenvolvida estrutura hospitalar (UTI neurológica, UTI neonatal, Ressonância Magnética, Tomografia Computadorizada, Radioterapia), a ?contratualização? que escanteou a instituição, afronta o bom senso, sendo imperdoável desrespeito a toda gente pobre do nosso Estado, que se vê privada de uma assistência diferenciada. (*) É médico e professor da Ufal.

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