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Paix�o pelos livros

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Alguns livros podem sugerir o seu valor pela capa. É o caso da obra ?Paixão pelos livros?, editada pela Casa de Palavra. Ela é preenchida por uma fotografia que mostra três típicos ingleses, encapados e soturnos, procurando obras entre os livros que sobreviveram em uma livraria londrina em escombros e sem teto, bombardeada pela Luftwaffe alemã durante a Batalha da Inglaterra, resistência heróica inglesa na Segunda Guerra Mundial que agora completa 70 anos. Mas, ao contrário de outros livros, o seu conteúdo consegue ser melhor do que a capa. Nele, consta uma seleção de artigos, memórias e ensaios de autores como D?alembert, Castelo Branco, Chalámov, Plínio Doyle, Drumond, Flaubert, Milton, Mindlin, Montaigne, Saroyan e outros, onde dissertam sobre a paixão pelos livros. Carlos Drumond de Andrade colabora com uma pequena jóia intitulada ?O sebo??, no qual lamentava que os sebos desaparecessem no Rio, todavia aparecera um novo, espaço no qual se deleitava e nunca deixava de levar um velho e almejado livro. Em sua casa não tinha espaço mais nem para uma conta de luz, portanto chegava sorrateiro, tentando esconder o volume da esposa, que inevitavelmente zangada o repreendia: ?Trouxe mais uma porcaria para casa!?. Presumo que o grande poeta adoraria a atual Estante Virtual, conglomerado nacional de sebos via internet. Petrarca no ensaio Meus Amigos afirma: ?Tenho amigos (os livros) cuja companhia me é extremamente agradável. E fácil ter acesso a eles, estão sempre à disposição, eu os admito em minha companhia, são sempre solidários e nunca nos faltam, mesmo nos piores momentos. Nunca dão problemas e respondem prontamente a cada pergunta que faço. Alguns levam embora as minhas preocupações. Em troca pedem apenas que os acomode em um canto da minha morada, onde possam repousar em paz, pois estes amigos preferem a solidão aos tumultos da sociedade?. Montaigne relata que a companhia dos homens e das mulheres é sempre aleatória por depender de outros. Com o tempo a das mulheres vai ficando mais improvável, enquanto que os livros estão sempre à mão, consolam e evitam a solidão. Borges afirma que o paraíso para ele seria uma espécie de biblioteca e finalmente (que o espaço é pouco) Jules Renard escreve: ?Quando penso em todos os livros que ainda posso ler, tenho a certeza de ainda ser feliz?. Vamos aproveitar a Bienal do livro, que a professora Sheila Maluf e a reitora Ana Dayse da Ufal nos proporcionam e percorrer com vagaroso prazer este rico e insuperável universo. (*) É médico e professor da Uncisal.

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