Opinião
Santo Padre (2)
Como a comunidade de Samaria que recebeu o anúncio e acolhe a verdade transformadora do Evangelho, a Igreja deseja que cada uma de nossas comunidades, livre do cansaço, da desilusão e da acomodação seja, a partir do Evangelho, um centro capaz de irradiar a vida e de gerar e reascender nos corações a esperança Há um desejo explícito que a realidade da missão seja algo a penetrar o tecido da vida eclesial em todas as suas dimensões, inclusive com a conversão necessária de pessoas, estruturas e instituições que ultrapassadas não mais servem para a comunicação da boa nova libertadora de Jesus e para a promoção da cultura da vida. A audácia é exigida de todos para ir para além de uma pastoral de conservação a uma atitude decididamente missionária no campo da evangelização. Isto exige uma profunda renovação pastoral na qual todos os atores da vida da Igreja devem ser comprometidos e implica uma ação pastoral que seja realmente pensada, levando em conta os novos areópagos que desafiam a evangelização e o protagonismo dos novos agentes da evangelização. Ao encontro de cada ser humano caído à beira do Caminho. A Igreja quer ser uma Igreja Samaritana e peregrina uma Igreja sempre a caminho, misturada na história das pessoas, solidária com todos os que encontramos à beira do caminho, à margem, deixados, excluídos, negados na sua condição de humanidade. Uma Igreja que não seja uma mera passante, apressada, com compromissos superficiais que roubam a sensibilidade, mas uma Igreja com tempo para parar junto das pessoas e cuidar das suas feridas, sem horas marcadas para o fim da viagem, com reservas para provocar nos outros a cadeia de solidariedade e de comunhão com a vida humana ferida. (*) Religioso da Ordem Carmelita, é arcebispo metropolitano de Maceió.