Opinião
Chav�z, o amiguinho �ntimo de Lula
O nosso presidente ante os acontecimentos de Honduras, em que teve uma antipática ingerência, declarou-se um grande defensor da democracia nas Américas. Diz que não ajudou, (mas ajudou, todos sabem), com Hugo Chávez, a reentrada de Zelaya em Honduras, abrigando-o na própria embaixada brasileira. Um presidente que pretendia um terceiro mandato, contra as normas da Constituição do País. Se ele tanto se preocupa com a democracia, como pode aceitar com tamanha simpatia um ditador como Hugo Chávez que caminha rapidamente para transformar a Venezuela em uma Cuba e com a riqueza do petróleo financia a delinquência em todo continente, com destaque para os terroristas da Farc? A imprensa tem sido perseguida, o jornalismo bem exercido é crime. Há alguns dias, 34 emissoras de rádio e televisão foram fechadas. O povo está oprimido, a pobreza galopa, há presos políticos. E para completar o Hezbollah, o movimento xiita libanez ? especialista em atentados e mestre em assassinatos de civis-é suspeito de estar se instalando na Venezuela. Enquanto isso, Lula vai fazer uma visitinha de cortesia a Chávez e prometer seu ingresso no Mercosul em 10 dias. Ele e seu partido toleram todas as medidas ditatoriais do vizinho. As contradições de opiniões de nosso presidente quanto à democracia são surpreendentes! Para Lula há democracia até demais na Venezuela! Imaginem! Prazerosamente ele se envaidece com as sugestões de Chávez para que tenha um terceiro mandato e com suas promessas de, no caso do amiguinho não querer concorrer, de dar todo apoio à eleição de Dilma Rousseff. E qual o motivo de suportarmos a ingerência desse ditador em nossas decisões políticas? O presidente venezuelano, com sua prepotência e falta de classe, gosta de meter o bedelho em todas as atitudes governamentais do continente. Quem possui como vizinhos a Bolívia e a Venezuela não os pode ter piores. Ambos protegem o tráfego de drogas que está trazendo toda sorte de desgraças para nosso país. Agora as plantações de coca da Bolívia se estendem junto às nossas fronteiras. Quando o democrático presidente da Colômbia veio ao Brasil, depois de ter visitado o Peru, a Bolívia, o Chile e o Uruguai, procurando esclarecer, espontaneamente, os termos da nova etapa de cooperação militar entre Washington e Bogotá, nem tinha que dar satisfações de questões internas de seu país, ameaçado pelo narcotráfico financiado pelos países vizinhos, menos democráticos; nosso presidente com a sua visão chavista de democracia, disse que iria cobrar de Uribe explicações sobre a instalação de bases americanas na Colômbia. Operação que sempre se deu de maneira clara e institucional. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.