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Opinião

Desumanidade real

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O que se deve escrever para mostrar a realidade? A verdade de Nietzsche que o levou a loucura, o mito a fim de explicar o sobrenatural de forma medieval, os contos da carochinha que por tradição ou costume se perpetuaram em nossa história como verdade. Por isso, não serei clássico para não correr o risco de não ser lido, tampouco usarei da retórica dos sofistas em assuntos ecumênicos, para não despertar o sono dos ?Martinhos Luteros?, por fim, não serei um Che para não ser encontrado em óbito nas selvas da Bolívia. À moda de Churchill procurarei das palavras as mais simples, das mais simples, a menor; tentarei mostrar a realidade que os telejornais transmitem, mas encontro uma barreira, pois o que se mostra é visto como irreal, não é problema nosso o que acontece lá fora. Diante desse descaso para que filosofar sobre o mundo das ideias de Platão, o existencialismo de Sartre, se temos o nosso ?mundo real?, que emociona e afeta ? as novelas das seis, das sete, Ah! a das oito que é horário nobre, e por isso nos faz se sentir nobres, poxa! Bem dizia o ?profeta? Raul Seixas: ?... eu sou sucesso...?. Sucesso, quinze minutos de fama, ser ovacionado, quem não aspira? ?Eu sou o caminho, a verdade e a vida?, disse Jesus Cristo, mas quem de fato está procurando esse caminho, essa verdade, essa vida. Existem n-religiões como norte para essa procura, mas esta busca anda em risco à medida que o homem se reduz ao simples incremento do ter, deixando de lado as iniciativas altruísticas. Infelizmente o amor ágape de Cristo partiu junto com São Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá; enfim olhe os seus que eu olho os meus, esta é a ?conduta? para alguns, o ser se distanciando do ser do eu do próximo. Da formação da pólis ao Estado, o homem se distanciou à velocidade da luz do bem-estar comum, formou as sociedades artificiais a qual se divergem das sociedades naturais das formigas e dos cupins. Falando em inseto me faz lembrar a metamorfose de Kafka, onde Gregor, personagem da história, aos poucos, em crise existencial, vai se transformando em uma barata, e sentido de fato a verdadeira desumanidade real que o mundo impõe. Esperamos que como ele, não precisamos ser transformamos em um enorme barata, para só mais tarde descobrimos que no fundo temos uma parcela de culpa quando o mundo e todos nos ver como se fossemos apenas um noticiário dos telejornais, por negarmos nossa própria realidade. (*) É matemático e acadêmico de direito.

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