Opinião
Perigos cotidianos
Tempo houve onde a Barra de São Miguel era considerada, além de um paraíso natural, um éden de paz e tranquilidade. Até os anos 80, mais ou menos, os viventes e veranistas se orgulhavam de dizer que por lá não existiam assaltos, ?a não ser de algumas penosas, para serem transformadas em tira-gosto; coisa de cachaceiros?. Folclore à parte, o fato é que, até cerca de vinte anos atrás, proprietários de imóveis na Barra de São Miguel jactavam-se de suas varandas, cômodos abertos e obrigatórios em cada casa, invariavelmente equipados com muitos prendedores para redes, onde boa parte dos usuários pernoitava, sem riscos. Nos dias em curso, conforme atesta a situação vivida por um deputado estadual, o perigo ronda os lares, de moradores e veranistas. Ninguém mais ousa pernoitar numa rede e boa parte dos residentes emprega pelo menos um ?vigia? na tentativa de dispor de um mínimo de segurança. E o parlamentar vitimado teve muita sorte, pois o bando que estava em perseguição ao invasor de sua residência desistiu de ir buscar a pretensa vítima no interior da casa. Se decidissem fazê-lo, o que os impediria? Mas, infelizmente, este não é um drama localizado na Barra de São Miguel. Meses atrás, o jornalista Valmir Calheiros, homem reconhecidamente pacato e de modestas posses, teve sua residência assaltada, invadida por um bando de assaltantes que levaram tudo que quiseram e ainda o agrediram e à sua esposa. Mas, infelizmente, este não é um drama de uma ou outra Barra; este é um problema alagoano que se agrava numa velocidade espantosa. E, como sempre, a constatação é a mesma: grande dificuldade de respostas práticas por parte dos órgãos policiais. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, do Litoral ao Sertão, o banditismo cresce num ritmo assustador. E, infelizmente, a reação policial está muito aquém do mínimo necessário.