Opinião
Limites e bom senso
Causou-me espanto como foi tratada e a maneira que virou notícia o caso da jovem que foi a uma universidade paulista com um microvestido rosa, mostrando a calcinha e provocando a todos com um rebolado sensual. Primeiro pela vulgaridade da própria jovem, segundo a maneira que foi tratada pelos colegas, com palavras de baixo calão num tumulto que parou a Uniban. O fato aconteceu no último dia 22, quando a jovem de 20 anos, subia a rampa do campus em São Bernardo e que deixou centenas de alunos alvoroçados, tendo que o coordenador pedir que a moça se retirasse, com o corpo coberto com um jaleco e que a polícia a escoltasse usando spray de pimenta para afastar os colegas ensandecidos. Quando limite e bom senso, aliados ao respeito se esperam somente do outro, instala-se o ?incêndio?. Independente de quem era a moça, o momento e a ocasião não eram propícios para o modo que se vestiu e caminhava. Ela, em primeiro lugar, não se deu ao respeito ? em muitas repartições públicas nem mesmo de bermuda é permitida a entrada. Ela estava num local público. Questão de bom senso a todos. A não ser que apelou para virar celebridade. Outra situação que chama atenção é a forma que a reação aconteceu. Preocupante: por se tratar de uma universidade, onde circulam pessoas que se julgam mais tolerantes e mais cultas; reagem querendo fazer justiça com as próprias mãos ? ou arruaçar para ?matar aula?. Não quero julgar nem uma atitude nem outra. Cada qual deve ser responsável pelos seus atos, com todas as suas possíveis consequências. Ninguém é melhor do que ninguém. Mas quando saímos por aí, querendo endireitar pessoas à força, empurrar goela abaixo nosso comportamento, nosso ideais, esperar que todos aceitem modismos, que preferimos chamar de liberdade (de expressão, comportamento). Tornamos nosso viver em sociedade um caos. Fato semelhante aconteceu com Jesus quando trouxeram uma mulher pega em adultério, e que conforme a lei seria simplesmente apedrejada e morta, fariam justiça com as próprias mãos. Mas Jesus responde à atitudes deste tipo: ?Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a tirar uma pedra nesta mulher!?, João 8.7. À mulher, depois do susto que deve ter levado e no mínimo repensado suas atitudes, simplesmente ouviu, ?eu não te condeno, vá em paz e não peques mais?. Tolerância e bom senso não fazem mal a ninguém! (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana.