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Planejamento

Somos ricos ou pobres?

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A PNAD de 2024 mostra um dado desafiador. A PNAD é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Ela revela que a taxa de pobreza no Sul do Brasil varia de 11% a 13% da população; no Sudeste, de 16% a 20%; e no Nordeste, de 35% a 41%. Esse quadro é o mesmo observado nos últimos cinquenta anos. Ou seja, não se altera, qualitativamente, com o tempo e com os governos, o padrão de vida dos nordestinos.

Penso que isso se deve ao fato de que o Brasil deixou de planejar. O mais recente plano de desenvolvimento do país é de 1974, no governo Geisel. De lá para cá, só nos chegaram planos monetários de estabilização da inflação, além de programas de curto prazo, como o PAC, e do Plano Real, de caráter macroeconômico, que retirou o país da inflação.

As decisões políticas passaram a assumir uma perspectiva eleitoreira de curto prazo. Terminada uma eleição, assume-se o poder e, imediatamente, prepara-se a próxima disputa eleitoral. Não há planejamento de longo prazo, desenho estratégico nem definição de prioridades articuladas programaticamente ao longo do tempo, com base em diagnósticos. Principalmente agora, diante do assalto criminoso das emendas secretas ao Orçamento da União.

A paisagem social do século XXI será alterada por três vetores: o digital, o ecológico e o energético. Estamos, juntamente com a ONU, organizando multilateralmente o futuro. Percebo que estamos ganhando mais do que perdendo a batalha do crescimento. A questão é como crescer e qual será o perfil dos resultados sociais. Temos o know-how. E o know-why? Em nível mundial, a esperança de vida, que era de 51 anos em 1960, aumentou para 73 anos em 2020.

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Na dimensão digital, dissemina-se a ideia de que existe um mundo real e, paralelamente, um planeta virtual. Mundos que se superpõem e que, em algum momento, deverão convergir segundo uma convenção global, evitando colisões entre soberanias. Precisamos de uma governança preventiva.

Na dimensão geoecológica e programática, as prioridades mundiais são claras, conforme pesquisas e recomendações da ONU: ciência e tecnologia, educação e conhecimento, energia e água. Esses temas devem ser trabalhados por meio de políticas e ações multilaterais, sob a orientação de organismos internacionais, na perspectiva de uma globalização governada.

Na dimensão histórica, é evidente a redução do tamanho relativo do mundo, com o aumento da velocidade sobre as distâncias, tanto no transporte de bens e serviços quanto na transmissão de informações. Destaca-se, assim, a aceleração da história. A comunicação por satélite e a internet permitem a produção de informações em tempo real.

Assim, a política de inovação é a chave que abre a porta dos futuros possíveis. Aí estão a internet das coisas, equipada com sensores e conectividade, transformando objetos em dispositivos inteligentes capazes de gerar informações; a inteligência artificial, combinando sistemas cognitivos e aprendizagem automática com capacidade de criar entendimento; e o blockchain, conjunto de algoritmos que facilita transações sem a intervenção de intermediários.

Voltando ao início: é hora de os governos de esquerda, no Brasil, debruçarem-se sobre a cinquentenária taxa de pobreza do Nordeste.

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