Opinião
Ser� o fundo do po�o
Para um fato assustador, brotam duas versões mais assustadoras ainda; este é o quadro decorrente do surpreendente roubo ao arsenal da Polícia Civil. Em si, o fato é terrível: ladrões invadem a sede da delegacia-geral de Polícia Civil e roubam armas. O que dizer diante de tamanho descalabro? No mínimo, não tentar minimizar o acontecido, com evasivas do tipo ?eram armas imprestáveis?. Declarações deste calibre são um tiro no pé, e servem apenas para minar a confiabilidade da equipe gestora da segurança púlica em Alagoas. O que a sociedade quer ouvir é o reconhecimento de que tal ato é uma provocação contra toda a sociedade e que os responsáveis pela gestão da Defesa Social reconhecem uma grande falha cometida. Deixar a delegacia-geral exposta à ação do crime é um erro imperdoável, pois, independente do que tenha sido roubado, ao se permitir vazada e expropriada, nada mais nada menos que a principal sede da Polícia Civil confirma-se como mais um alvo fácil e faz ampliar na sociedade o sentimento de impotência do poder público em garantir um mínimo de segurança ao cidadão comum. Esclarecer o roubo e prender os responsáveis é o que a sociedade espera. E, mais que isso, a esperança mais sagrada é que bodes expiatórios não sejam levados ao altar de sacrifícios midiáticos. Uma vez confirmado o prejuízo cívico, o dia seguinte se anuncia em mais prejuízos, pois cresce as suspeitas acerca da possibilidade de tal ação vir a ser uma sabotagem, conforme comentários insistentes captados durante todo o dia de ontem. Como diz a filosofia popular: ?Além de queda, coice!?. O que é pior? O crime organizado (ou desorganizado) tem topete e condições de invadir e assaltar a delegacia-geral de Polícia Civil, ou ter gente ?de dentro? disposta a desmoralizar a instituição policial para resolver querelas intestinas?