Editorial
Otimismo cauteloso
A desaceleração da inflação voltou a fortalecer a expectativa de redução da taxa básica de juros, embora em ritmo moderado. O IPCA-15 de julho surpreendeu positivamente ao registrar alta de apenas 0,06%, abaixo das projeções do mercado, refletindo principalmente a queda dos preços dos alimentos e dos combustíveis. O resultado reduziu a inflação acumulada em 12 meses para 4,52%, aproximando-a do teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
O cenário reforça a percepção de que o ciclo de aperto monetário cumpriu seu papel e abre espaço para um novo corte da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Ainda assim, a tendência é de uma redução cautelosa, de apenas 0,25 ponto percentual.
Apesar da melhora dos indicadores, o combate à inflação ainda não pode ser considerado concluído. A alta da energia elétrica, dos serviços, dos planos de saúde e das passagens aéreas demonstra que persistem pressões em segmentos tradicionalmente mais resistentes. Além disso, fatores externos continuam representando riscos para a trajetória dos preços.
O momento, portanto, é de otimismo moderado. A inflação dá sinais consistentes de desaceleração e permite ao Banco Central iniciar uma flexibilização da política monetária, mas a convergência definitiva para a meta dependerá da continuidade desse processo.
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