Opinião
Cerco sobre o verde
Sempre polêmicas, as opiniões sobre a Amazônia brasileira, tendem a ocupar crescente espaço na mídia e nas preocupações políticas. Embora seja impossível localizar-se projeto unânime dentre para a área, a questão do desenvolvimento sustentável exige a identificação de pontos de convergência entre desenvolvimentistas e naturalistas. A pressão para a ocupação econômica da Amazônia é real e radicalmente diferente (qualitativamente falando) que nos tempos onde a Transamazônica centralizava a polêmica sobre as estratégicas para um dos mais importantes ecossistemas do mundo. Hoje, a tecnologia e a crescente liberalização da economia fornecem as condições básicas para a proliferação de investidores na região. Nesta semana, um sistema de monitoramento ambiental chamado Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real) vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgou que ?no mês de setembro [de 2009], 400 km² da floresta sofreram corte raso ou degradação progressiva (...). Deste total, 134 km² foram registrados no Mato Grosso e 133 km², no Pará?. Como se vê, a floresta segue sendo devastada pelas bordas. A fronteira agrícola confirma-se como móvel, fluindo sempre num único sentido, com o lado ?economicamente viável? avançando sobre a área verde. Isso sem falar nos ?bolsões? formados pelas clareiras abertas no meio da floresta pelas mais diversas formas de exploração econômica (como os garimpos), mui particularmente abastecidas pelas clandestinas rotas aéreas (sem falar no tráfico e no contrabando, lógico). Achar um ponto de convergência é de grande importância, hoje, para o futuro sustentável da Amazônia. Um celeiro de vida como esse precisa de ser tratado pela sociedade com o devido respeito.