Opinião
Deem um tempo
Cumprimentando o senador Fernando Collor, em sua posse como imortal da Academia Alagoana de Letras, fiz ver não constar de seu currículo, lido no início da solenidade, ter sido ele presidente do Centro Sportivo Alagoano, fato não esquecido nem quando investido no cargo de maior mandatário do País, citando o lema ?União e Força? do CSA, no discurso feito do púlpito externo do Palácio da Alvorada. Disse estar surpreso ? na hora da leitura ainda não tinha adentrado o salão ? e, com seu primo Euclides Mello brincaram, pondo a culpa em Carlos Mendonça por sua condição de regatiano, como sendo o autor do documento. Isso fez-me voltar mais ainda no tempo, a 1973, há trinta e seis anos, quando assumimos a presidência do CSA em situação parecida com a que vive atualmente. Guardem-se as devidas proporções, pois não havia na época as obrigações sociais incidentes sobre os salários dos atletas, como hoje. Mas, encontrava-se alijado, por injunções políticas, da principal competição nacional, preenchendo sua agenda com jogos pelo interior do estado, sendo alcunhado de ?Herói do Sertão?. Saudoso amigo Dirceu Falcão renunciara por não mais conseguir levar adiante seu intento, mesmo tendo lançado os títulos patrimoniais para a construção do Parque do Mutange. Era política sua não envolver dinheiro advindo dos títulos com o futebol. Coisa que também fizemos e Fernando Collor, em seguida. Desse trabalho, foram deixados a estrutura do balneário, com duas piscinas, três campos de futebol society e o prédio de apoio às piscinas, onde hoje funciona a sede do clube. Pergunta-se: e o futebol? Ao assumirmos, em carta publicada em jornais de então, enumeramos as dificuldades inerentes ao futebol, e procuramos incutir, na grande nação azulina, a necessidade de um mergulho estratégico, sem intenções de títulos, para, após um trabalho de saneamento das dívidas, voltarmos revigorados para a disputa dos títulos de que tanto nosso clube, por ser papão deles, tem sede. E assim foi feito. Mesmo com a prata da casa, ganhamos a melhor de três em disputa do campeonato de 1971, que estava ?sub-judice?, diante de nosso maior rival. Já o de 1973, como dito, não logramos êxito pelos motivos óbvios. Já em 1974, sob a presidência de Fernando Collor, conseguimos entrar na elite do futebol nacional, com nossas finanças totalmente saneadas. Vejo, agora, uma oportunidade rara para uma reestruturação do azulão. Estamos no fundo do poço. Não cavem mais. Parem para pensar. Deem um tempo. (*) É ex-presidente do CSA.