Editorial
Perda de dinamismo
Os números mais recentes do mercado de trabalho confirmam que a economia brasileira continua gerando empregos, mesmo sob o impacto dos juros elevados. A taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, o menor patamar já registrado para o período, enquanto o contingente de pessoas ocupadas atingiu um recorde histórico.
Entretanto, os mesmos indicadores que revelam a força do mercado também apontam sinais claros de perda de dinamismo. O avanço da ocupação ocorre, em grande parte, em postos de menor remuneração e com maior peso da informalidade. A inflação elevada no segundo trimestre corroeu o poder de compra dos trabalhadores, enquanto o saldo de empregos formais no primeiro semestre foi o mais fraco desde a pandemia.
A expectativa dos economistas é de que essa desaceleração se intensifique no segundo semestre, acompanhando o arrefecimento da atividade econômica. Ainda assim, não se projeta um retorno aos elevados índices de desemprego da década passada.
O fato é que o Brasil precisa gerar empregos mais produtivos, formais e mais bem remunerados. Manter o desemprego baixo é uma conquista importante; transformar essa realidade em melhoria efetiva da qualidade de vida dos trabalhadores será o verdadeiro teste para a economia brasileira nos próximos meses.
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