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Opinião

Apenas a verdade

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Quem é capaz de assassinar é capaz de caluniar. Cabe à autoridade policial, durante o inquérito, ter a capacidade de distinguir a verdade da mentira de forma clara, técnica, possibilitando à Justiça as condições necessárias para o veredicto final. Desta forma, é perfeitamente compreensível a reação de muita gente em defesa do que consideram verdade e valores morais acerca de uma última vítima (vítima de um crime cometido com requintes de violência, vítima de tentativas de ?justificação? do ato criminoso e vítima do preconceito). Da mesma forma é indispensável a compreensão e o apoio à ação policial no trabalho de recolher todas as versões, descrições, justificativas, explicações, relatos ? tudo, enfim, que, vindo das pessoas diretamente associadas com o fato ou com os envolvidos com o ato criminoso, possa ajudar ao completo esclarecimento do delito. A reação de desqualificar, desde o primeiro momento, totalmente, os depoimentos (confissões) dos suspeitos, deve ser compreendida do ponto de vista emocional, mas deve ser rechaçada do ponto de vista policial e jurídico, pois, apesar do intuito de defender a memória da vítima, vir a beneficiar criminosos. Ou, o que pode ser ainda pior, vir a ocultar causas reais de crimes chocantes, dificultando a caracterização necessária dessas ocorrências delituosas. No caso de crimes homofóbicos, ou cometidos entre homossexuais, esse preconceito é evidente. Ao se tentar ?defender? o que se considera honra, desqualificando evidências tidas como ?desmoralizantes? para a vítima, lança-se um manto de falsidade sobre o episódio sangrento, o que termina por dificultar o trabalho da polícia e a missão da Justiça. O preconceito, até em nome do verdadeiro respeito à vítima, deve ser abandonado sem mais delongas. O que vale é a busca da verdade.

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