Opinião
Hora de mudan�a
Meio século como pena pode parecer algo extenso demais, considerando-se o padrão das penalidades brasileiras. Mas, ao se tomar conhecimento do um resumo dos autos do processo, pode-se chegar a conclusão que 50 anos de cadeia ainda é pouco para quem comete o crime de pedofilia, especialmente nas condições descritas, e comprovadas, pelo inquérito. Esta pena foi aplicada em Alagoas, ontem, na comarca do Pilar. Em bom momento, a eficiência policial (destacada pelo magistrado) e a firmeza da Justiça merecem o devido destaque num momento onde a violência, o crime organizado e os crimes hediondos crescem em todo Brasil. E, infelizmente, o Estado de Alagoas está mergulhado, também, nessa espiral de horrores. Tão dramática está a realidade que já não cabem cobranças pontuais, do tipo de reivindicações sindicais, ou ?movimentos? autodenominados representantes da ?sociedade civil?. O momento exige junção de forças em caráter de ?unidade frente à emergência?, congraçando adversários políticos, concorrentes econômicos, inimigos ideológicos, rivais religiosos, em torno de uma nova Política (com P maiúsculo) pública de segurança pública. Esta nova visão sobre segurança pública no Brasil tem que levar em consideração desde as condições de trabalho da base policial até à concepção jurídica mais adequada para o enfrentamento da realidade brasileira. Enquanto tal virada não acontece, seguem as precariedades materiais e os parcos investimentos na inteligência operacional, seguirão obstaculizando a repressão ao crime. Por outro lado, com um sistema prisional em frangalhos e padecendo de uma equivocada ideologia dita de ?direitos humanos?, são outras feridas abertas. Somando tudo isso, um arcabouço jurídico capaz de libertar um assassino com uma fração de pena cumprida, formam um caldo de cultura de extrema letalidade.