Opinião
Crime sem limites
Todo assassinato é chocante. E as condições tornam determinados homicídios ainda mais impactantes. Este é o caso da morte do policial Anderson Lima e do vigilante Aldersandro Ferreira, ocorridas ontem. Fosse qualquer pessoa assassinada durante um assalto, já seria algo digno de nota. Na hipótese de tentativas de reação, mais considerações mereceriam ser feitas. Em sendo um policial uma dessas vítimas, somar-se-iam reflexões outras; e em tendo sido trucidado, durante um suposto assalto a banco, o melhor policial do mais preparado grupo de ação da polícia, o que pensar? Em qual realidade estamos vivendo? Não é mera figura de linguagem dizer que esclarecer completamente este crime é questão de honra para toda a estrutura policial do Estado de Alagoas. Esse crime, pelas informações divulgadas pela própria polícia, é um insulto à toda sociedade. E não são poucas as interrogações e inquietações que pairam no ar. Uma dessas questões inquietantes é de que um bandido disfarçado de policial militar teria cometido o assassinato aproveitando-se de que a vítima confiara em sua farda. Se confirmada, esta informação precisa provocar, com urgência, estratégias destinadas a dificultar essa prática, que se nos apresenta como perigosamente fácil, de fantasiar-se de policial, seja civil ou militar. Em qualquer esquina de qualquer cidade brasileira, uma excessiva liberalidade comercial permite que sejam vendidas fardas completas, coletes e bonés personalizados, insígnias, brasões e tudo mais que possa ser identificador da autoridade policial. É um detalhe, mas está se tornando um detalhe muito preocupante em função da banalização do uso dessas referências em crimes nos quais se ilude a vítima, com criminosos passando-se por policiais. Pelo que se nos apresenta, nosso melhor policial caiu nessa armadilha. É isto mesmo?