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Opinião

� sombra do apag�o

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Turbinada pela pressão elevada, típica dos períodos que antecedem as eleições, a discussão sobre o apagão recente merece mais atenção e, fundamentalmente, precisa ser politizada do ponto de vista estratégico, deixando de lado a tendência de ser polarizada pelas questiúnculas partidárias. Nem as acusações raivosas da oposição nem as tentativas reducionistas da situação são adequadas para a correta e indispensável abordagem do problema. Direcionar as avaliações sobre o caso para a arena rasa do vale-tudo da contenda eleitoral é um desserviço à Nação, é um tiro no próprio pé, ou melhor dizendo, serão tiros nos pés (da situação e da oposição, ao mesmo tempo), pois a superficialidade e manipulação dos argumentos conduzirá a novos problemas. E, ao fim e ao cabo, o Brasil (enquanto economia) e nosso povo (enquanto consumidores) pagarão o pato. A grande questão é que nosso sistema energético está (muito aquém das necessidades brasileiras, situação que torna-se ainda mais dramática em função dos bons ventos do crescimento econômico que enfunam nossas velas. Para crescer, mais energia é indispensável. Nenhum país pode lograr êxito numa escalada de desenvolvimento se não tiver bem resolvido seus problemas de infraestrutura ? e energia é a pedra angular sobre a qual é construído o desenvolvimento. Mais volume, mais rapidez e mais eficiência na reestruturação do sistema energético brasileiro é o trio de ouro para uma política para este segmento. E, assim como a política econômica não sofreu solução de continuidade do governo FHC para o governo Lula, o Brasil cobra uma política energética ousada e sustentável com a qual os governantes possam se comprometer. Definir esta política é a principal tarefa para o setor. Caso contrário, perderemos o bonde (elétrico) da história.

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