Opinião
A opini�o p�blica
Um filme recentemente exibido nas telas nacionais trouxe à baila a atualíssima questão da manipulação da opinião pública. O filme é o polonês Katym, concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2008 e revolve um tão importante quanto desconhecido fato ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial: o massacre de mais de 5.000 oficiais poloneses, a nata da oficialidade polaca, pelos soviéticos durante a ocupação da Polônia logo no início do conflito. Resumo do fato histórico: a Polônia estava ocupada na frente oriental pelos soviéticos e na frente ocidental pelos nazistas. Os soviéticos então ainda se davam com os nazistas e ambos dividiam o butim polonês. A Polônia estava de joelhos, vencida, rendida e humilhada pelas poderosas tropas de Hitler e Stalin. Stalin que tinha ambições ainda maiores que Hitler em relação à Polônia, queria não só dominar territorialmente aquela nação, como eliminar a sua elite intelectual, então sediada no Exército polonês. A ocupação soviética dar-se-ia então, como de fato se deu, por muito tempo e sem maiores resistências. A questão maior que o filme traz, todavia supera este episódio infame: como os soviéticos dominaram a Polônia por muito tempo, as gerações pós-guerra, manipuladas, atribuíram o selvagem assassinato coletivo da fina flor da sociedade polonesa aos nazistas; a manipulação perversa da informação pelo poder é o tema principal do filme e esta questão é atualíssima, como se vê diariamente em todo o País. A opinião pública, contudo não é direcionada apenas pelo Poder, mas também pelos instintos mais primitivos (seria o inconsciente coletivo teorizado por Jung?) e em alguns episódios pode mostrar a sua imensa agressividade. Vide a jovem estudante da Uniban, que usava um vestido muito sensual, provocante e foi o pivô de intensa arruaça que poderia ter consequências imprevisíveis se não fosse salva emergencialmente da ensandecida turba de colegas. O que moveu aqueles jovens estudantes na agressiva ação contra a colega? Pudicícia em uma sociedade das mais permissivas, onde as televisões propagam a sexualidade de forma desenfreada em todos os lares, a qualquer hora? Provavelmente, Freud diria que embora exista intensa exposição do sexo nos meios de comunicação, a repressão sexual ainda é maior que a condição de liberá-lo. A verdade cedo ou tarde aparecerá e quem tem a consciência limpa deve ficar tranquilo. As muitas demonstrações espontâneas de solidariedade em momentos os mais difíceis, mostram que a opinião pública também sabe diferenciar o joio do trigo. (*) É médico e professor da Uncisal.