Opinião
O pr�-sal nuclear
Assunto de grande exposição na mídia, o pré-sal é fruto das mais diferentes articulações políticas e energéticas. Entre previsões otimistas e pessimistas, aos 14 bilhões de barris de óleo atuais o governo trabalha com reservas de 50 bilhões de barris, suficiente para colocar o País entre os maiores produtores de petróleo do mundo. Para exploração dessa riqueza, quer mudar o sistema de concessões para partilha, criar uma nova estatal do setor petrolífero (Petro-sal), fazer da Petrobras única operadora e criar um fundo para investir em educação, combate à pobreza e inovação tecnológica. Riqueza de igual porte passa despercebida da população brasileira, por estigmas do passado, pré-conceito e falta de informação. Com apenas 30% do território brasileiro prospectado, já estão confirmadas 318 mil toneladas de urânio, o que nos coloca como 7ª maior reserva mundial, atrás da Austrália, Cazaquistão, Rússia, África do Sul, Canadá e Estados Unidos. Se as reservas estimadas de 820 mil forem confirmadas, passamos para o 1° ou 2° lugar. Fazendo as devidas conversões desse conteúdo energético, nossas reservas de urânio correspondem a 58 bilhões de barris de óleo equivalente, outro pré-sal. A energia nuclear foi estigmatizada pelas bombas de Hiroshima e Nagasaki e pelos acidentes de Chernobyl e Tree Mille Island, daí o pré-conceito e a falta de informação. Recuso-me a admitir que o pacífico Brasil, que assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, vá andar soltando bomba por aí. O acidente em Chernobyl, que causou mortes e problemas genéticos com os habitantes atingidos, não voltará a acontecer porque a baixa segurança das usinas da URSS de então, os tipos de reatores e operadores fazendo testes não-autorizados, não existe mais em nenhum lugar do mundo. Em Tree Mille Island tinha a cápsula de proteção e o vazamento esporádico foi contido sem problemas para a saúde. Preocupados com os reflexos do aquecimento global e conscientes que precisamos de energia limpa de base (que pode funcionar durante as 24 horas do dia), até os ambientalistas de todo o mundo estão mudando os seus conceitos anteriormente contrários à opção nuclear. Temos que investir também em biomassa, eólica e solar como fontes complementares, mas sem preconceito com a energia nuclear, assim como não vamos deixar de usar o nosso petróleo, o 2° energético mais poluente. É claro que a preocupação maior é com os rejeitos de alta atividade, cuja solução definitiva só será possível com o aumento da produção e com as inovações tecnológicas. (*) Secretário de Estado adjunto de Minas e Energia.