Opinião
Esperan�a no campo
Um dos mais tradicionais nichos da economia alagoana, a pecuária leiteira, depois ruminar a ração que o diabo amossou, parece que encerra o ano de 2009 com novos horizontes à vista. Ainda bem. Num dos Estados com dificuldades históricas de diversificar suas opções de produção econômica em escala industrial, a crise que se abateu sobre a área de laticínios foi (e ainda continua sendo) uma das mais dramáticas. Também fustigada pelo retrocesso registrado, há anos, no combate à aftosa, além de outras injunções de cunho econômico e empresarial, o outrora pujante segmento leiteiro alagoano muito tem sofrido e pelo menos duas sentidas perdas deram o tom da dramaticidade e extensão da crise. Do ponto de vista do número de micro e médios produtores, o maior revés foi o fechamento da Camila, que um dia já se chamara Camil, cooperativa sertaneja de produtores de leite que era a mais antiga referência para o setor. Do ponto de vista da tecnologia e da excelência de produtos, a mais sentida derrota alagona foi o desaparecimento do Leite Boa Sorte, experiência inovadora (em todas as etapas produtivas) que lançou Alagoas à ponta dos derivados do leite tipo A (e do próprio leite, óbvio). Entre essas duas significativas perdas, vários outros prejuízos marcaram o segmento leiteiro alagoano, fazendo cair um véu de desesperança sobre o setor. Mas o rumo e a expertise não se perderam, felizmente. E, turbinado pelo sucesso alagoano no combate à aftosa e pelo avanço das modernas concepções de gestão empresarial, o chamado ?ramo leiteiro? começa a dar respostas. Além do sucesso identificado nos negócios na 59ª ?Feira da Pecuária?, a estimativa de investimentos na ordem de R$ 15 milhões é confirmação prática de que a revitalização do segmento é mais que uma tendência. A realidade, de fato, começa a mudar.