Opinião
Macei�, a primeira capital com luz el�trica do Brasil 1
A história da energia elétrica é algo tão recente, que muitos de nós, perto dos 60 anos, principalmente, tendo morado em cidade do interior, deve lembrar que antes de chegar a energia de Paulo Afonso, as lâmpadas acesas não passavam de luz de candeeiro. O rádio (enorme) só funcionava a 110 volts. As matutas diziam: ?Henhei muié, quanta cabacinha de fogo!?. E ninguém dispensava uma boa lamparina a querosene, que popularmente se chamava ?placa?. Como não havia televisão ouvia-se a Rádio Clube de Pernambuco, ou sentava-se à porta de casa para ouvir história de trancoso. Foi a metade do século 20 que distribuiu melhor a energia e ajudou a criar a empáfia de que o País não apaga. E o mais interessante em tudo isso, é imaginar que Maceió tenha sido a primeira capital do Brasil iluminada a luz elétrica. Principalmente, em 1896, considerando que em 1900 a Exposição Universal de Paris apresentava o Pavilhão da Energia, como algo extraordinário, reservado a raras capitais europeias. Mas essa história é muito complicada. Felix Lima Junior, em seu Maceió de Outrora, tenta delinear os acontecimentos, mas é preciso ir bem além para entender a afirmação do Indicador Geral do Estado de Alagoas de 1902. O pontapé inicial da iluminação pública em Maceió teria iniciado por volta de 1842, quando a luz noturna passou a ser feita por 14 lampiões a querosene. Em 1845 o número já chegava aos 20. E em 1846 fazia-se concessão ao padre José Domingos da Silva. O contrato foi passado por outras mãos até que o presidente da Província José Cesário de Miranda Monteiro de Barros sanciona a Lei 1018 de 11 de dezembro de 1888 e concedeu a Argemiro Augusto da Silva. A concessão exigia que a iluminação fosse feita , ?(...)pelos processos mais aperfeiçoados de luz electrica?. Teria que iluminar ruas e praças ?(...) por meio de duzentas lâmpadas de intensidade equivalente a dezesseis velas estereáricas, cada uma (...)?. O contratante teria o prazo de ?dous? anos para efetuar o serviço. E o melhor: ?A empresa gosará (com s) de isenção de direitos provinciais e municipaes sobre os materiaes e machinas que houver importado e o presidente da Província solicitará do governo geral a isenção dos direitos nacionaes?. O senhor Argemiro parece ter impressionado o governo provincial com sua casa, iluminada a luz elétrica em 1887. (*) É escritor.