Editorial
Planejamento e previsibilidade
O Brasil vive uma contradição na infraestrutura: nunca investiu tanto, mas ainda está distante do volume necessário para superar décadas de déficits. Em 2025, os investimentos chegaram a R$ 280,4 bilhões, o maior valor da série histórica, com 80% dos recursos provenientes da iniciativa privada. Ainda assim, o País precisaria de mais R$ 225 bilhões por ano para modernizar adequadamente sua infraestrutura na próxima década.
O dado revela avanços importantes, sobretudo na expansão das concessões e das parcerias com o setor privado. Saneamento, rodovias e ferrovias concentram boa parte dos projetos e podem produzir efeitos diretos sobre a qualidade de vida, a produtividade e a competitividade brasileira.
O desafio, porém, é criar condições para que esse ciclo de investimentos seja mantido. Juros elevados, inflação, incertezas fiscais e o cenário eleitoral reduziram o otimismo dos investidores. A confiança precisa ser recuperada com previsibilidade regulatória, segurança jurídica e planejamento de longo prazo.
Estados têm demonstrado maior capacidade para estruturar concessões e PPPs, enquanto os municípios ainda enfrentam limitações para desenvolver projetos complexos. Superar esse gargalo é fundamental, sobretudo em áreas como saneamento, mobilidade, habitação e infraestrutura social.
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