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Opinião

A mamografia � necess�ria?

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A publicação esta semana pelo grupo US Preventive Services Task Force de um trabalho tentando reorientar o uso das mamografias a partir do 50 anos causou intenso rebuliço no meio médico e na sociedade. Justifica-se: o câncer de mama apresenta 1 milhão de casos novos/ ano, 49.000 só no Brasil e cerca de 400.000 mortes no mundo. Faremos aqui algumas considerações, amparadas em uma experiência pessoal de mais de 30 anos, assim como na literatura médica, hoje, das mais extensas, desde que o câncer de mama é o que mais cresce no mundo e é mais freqüente nos países mais desenvolvidos. Na grande maioria dos casos ele acomete mulheres que não tem parentes com esta enfermidade, não tem fatores de risco, enfim pode acometer qualquer mulher; como também ainda não é passível de prevenção; assim, as esperanças tanto das mulheres, como dos médicos, é se fazer um diagnóstico precoce para poder, tanto preservar a mama, quanto a vida. Esta doença tem não só aumentado a sua incidência ano a ano, como atingido mulheres a cada dia mais jovens, quando o tumor, geralmente, é ainda mais agressivo. Temos comprovado isto na Santa Casa de Maceió, onde nos últimos 8 anos, na faixa etária dos 30 aos 34 anos a elevação de acometidas foi a maior, mas de 74%.O diagnóstico e o tratamento, então,são ainda mais difíceis. A diferença entre o que se consegue de cura entre um tumor diagnosticado precocemente, com menos de 2.0 cm e um tumor de 4.0 cm, varia respectivamente entre mais de 90% para cerca de 60% ou menos, pois, quando um tumor duplica de volume, ele aumenta não só enormemente o número de células malignas no local, quanto, o pior: as células tendem a migrar para sítios à distância: as metástases, principal causa de mortalidade pelo câncer. Estes tumores menores do que 2.0, dificilmente são diagnosticados por apalpação, mesmo por médicos experientes. Assim, a mamografia ainda é o principal exame para se fazer o diagnóstico nestes tumores menores quando a cura é maior. É na faixa etária dos 50 aos 70 anos onde ela é mais benéfica e pode reduzir o risco de morte em 20 a 30%,e nas mulheres entre 40 e 50 anos, o que fazer? Acredito que a recomendações da Sociedade de Câncer Norte-Americana e Brasileira de Mastologia, feitas por profissionais que tratam estas mulheres diariamente, devem ser seguidas: a mamografia deve ser feita a partir dos 40 anos enquanto as evidências não demonstram que existe coisa melhor a ser feita. Vidas preciosas podem ser salvas através do uso criterioso deste exame e do tratamento adequado. (*) É médico e professor da Uncisal.

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