Opinião
D�vidas reais
Passadas as maiores ondas da tormenta que assolou as praias do Real, se discute o que aconteceu e o que acontecerá com a economia do Brasil. O ano seguinte parece que já começou e o próprio ministro da Fazenda, Pedro Malan, já formulou um convite para que o próximo presidente eleito inicie o processo de transição ainda em novembro, assim que a voz das urnas se fizer ouvida em definitivo. É preciso pressa, pois o país cenográfico montado por FHC e equipe de efeitos especiais está se esfarelando. A derrocada do pseudo sucesso da moeda estável começou um pouco antes do previsto por seus criadores. Agora, o caso ? para essa turma ? é apressar o passo, para passar ao próximo governo a bomba que era de efeito retardado, mas já começou a pipocar. Não resta dúvida que esse apressamento tem justificativa. A economia brasileira, apesar do suspiro depois de um longo período de asfixia, não dá sinais seguros da recomposição das reservas de oxigênio. O ar pode faltar, novamente, a qualquer momento. A base de todo esse aperreio está no modelo econômico implementado nesses oito anos de poder de FHC. Sem desenvolvimento, tendo sido sugado em todas as suas reservas, o País teve aumentados seus débitos. Quanto mais paga, mais deve. Para pagar mais, corta na própria carne do povo, eliminando investimentos no social e para o desenvolvimento econômico. O país vive a insustentabilidade de uma ficção. Ficção, na realidade, bem cara, por sinal. Numa coisa o ministro da Fazenda tem razão: a transição já devia ter começado, pois o governo acabou (com o Brasil). Passaram mesmo as ondas que assustaram todos os brasileiros? O dólar ter recuado para aquém da barreira dos três reais significa um alento verdadeiro para a economia? Quais as conseqüências futuras do novo acordo com o FMI? O que fazer para escapar dessa espiral de dívidas? São perguntas que continuam à espera de respostas, e que devem alertar a todos que se preocupem com o futuro.