Opinião
Romances cinematogr�ficos de sucesso
Uma febre chamada ?Crepúsculo? ? livro e filme ? que a principio era percebido apenas pelos adolescentes de várias partes do mundo, começa a atingir grupos de adultos jovens e maduros encantados por esse universo fantasioso. Repete-se agora, com certa dose de criatividade, a continuação da série com o filme ?Lua Nova?. Harry Potter, de quem Crepúsculo se apresenta como competidor fortíssimo, manteve-se por muito tempo no topo das preferências, sempre como o queridinho da turma infanto-juvenil. As narrativas da autora americana Stephenie Meyer têm aliado ingredientes capazes de mexer com o imaginário de uma extensa faixa etária de pessoas, mundo afora. O primeiro livro Crepúsculo e o segundo Lua Nova alcançaram marcas expressivas. No mundo, as vendas dessa saga de amor entre a adolescente Bella Swan e o vampiro estilizado Edward Cullen alcançam 25 milhões de cópias. Mas o que atrai jovens e adultos do mundo inteiro? Do que se pode perceber é que os livros e filmes trazem muito do contexto dos romances clássicos adolescentes, sempre com o famoso impedimento amoroso, mas não seguem o estilo Romeu e Julieta, pois o enredo se desenvolve em outra época e num ambiente escolar de adolescentes. Outro ponto que os diferencia é justamente o conteúdo extranatural em que essa paixão se desenrola e o segredo vampiresco. ?Nesse universo fantasioso, os personagens construídos pela autora mostram-se de tal forma familiares em seus dilemas e comportamentos que o real e a irrealidade se confundem. Stephenie Meyer torna plausível ? e irresistível ? a paixão de uma garota de 17 anos por um vampiro encantador?. Amor, sublime amor. Flechas que atingem em cheio os corações abertos a esse sentimento. No caso de Bella, a protagonista introspectiva, o amor supera o medo, mesmo sentindo que a própria vida corre perigo. Situações de risco, um viver perigosamente, desafios, sofrimentos e, finalmente, o final feliz desejado. O segundo filme da série ? Lua Nova ? toma caminhos diferentes, mas mantém uma boa dose dos ingredientes que contribuíram para o bom êxito do primeiro. Contudo, alguns avaliadores apontam a mensagem subliminar de valores morais como a ausência de cenas eróticas, tão comuns nas novelas. Tal abordagem vem sendo entendida como decorrente dos princípios de sua autora que é da religião mórmon. Curioso é o que diz o produtor do filme, Chris Weitz: ?Fazer uma produção cinematográfica sem sexo é arriscar o sucesso da bilheteria?. Previsão que não ocorreu. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.