Opinião
Policiais em a��o
No momento onde Alagoas passa por uma de suas mais graves crises na segurança pública, é, no mínimo, contraditório e inexplicável, o deslocamento de quadros formados no combate ao crime para funções cerimoniais e burocráticas, como as próprias dos chamados ?gabinetes militares?. Neste sentido, calou fundo a decisão do Conselho de Segurança em reafirmar sua determinação para que os militares desviados para essas funções cenográficas retornem a suas atividades devidas, para as quais foram treinados e nas quais o Estado investiu tempo e recursos materiais. Num cenário de guerra aberta contra o crime organizado (guerra na qual a cidadania tem perdido uma batalha atrás da outra), é inaceitável o deslocamento de centenas de policiais das frentes de combate ao banditismo para a retaguarda pomposa, onde o abrir portas e carregar bolsas são as tarefas mais solicitadas de garbosos militares vestidos em impecáveis trajes de gala, adornados de dragonas, medalhas em profusão e outras filigranas apropriadas para exibição em quaisquer salões, porém contraindicadas para uso nas ruas infestadas de bandidos, onde o fardamento de ação tem de ser ornado com coletes à prova de balas e outros equipamentos. Que os policiais militares façam, também, a segurança dos poderes constituídos, mas enquanto ação integrada ao plano maior da Defesa Social e não como segmentação distanciada da estratégia de combate ao crime. A cada dia, os números recolhidos pelas mais diversas pesquisas teimam em situar Alagoas como um dos estados mais problemáticos em termos de segurança pública. Em vário rankings, nosso Estado situa-se, de cabeça para baixo, no topo da lista, confirmando o temor sentido nas ruas de quaisquer cidades alagoanas. Nesta realidade de crescente insegurança, todo policial deve estar em seu posto de combate e não alhures.