Opinião
De que lado est�o eles?
Não conseguimos ficar indiferentes ou tapar os olhos enquanto os problemas estão aí, na nossa cara, mexendo até com o psiquismo de muitos, enquanto outros encarceram-se em casa, tomados de verdadeiro pavor de ir até a esquina mais próxima. Sei de muitas pessoas que sofreram mais de um assalto; o difícil, aliás, é saber quem não passou ainda por um susto desses e não teve um relógio ou um celular roubados em pleno comércio. Nem é necessário afirmar que estamos quase inteiramente à mercê dos bandidos, e isso em todo o Brasil. Porém, é sobre nossa terra que quero falar nessas linhas, a nossa Maceió que dos ?encantos mil?, das belezas naturais, da cidade antes pacífica, hoje é tida como uma das mais problemáticas na questão da violência generalizada ? do tráfico de drogas aos tráficos de influência, dos crimes de mando e assaltos a bancos ao furto praticado sob as circunstâncias mais diversas, como numa espiral que não tem fim. Matar virou coisa banal, mata-se por qualquer motivo. Impossível não sentir saudade do tempo em que se podia andar pelas calçadas do comércio, em noites tranquilas, depois do cinema, e ver as vitrines das lojas caprichosamente ornamentadas, quando os saltos acelerados do coração não vinham do medo de sermos atacados, mas apenas das emoções confusas dos primeiros amores. A situação hoje está tão mudada, que em lugar nenhum estamos mais seguros, seja em casa, em bancos, consultórios médicos, escolas ou igrejas. Tantos escrevem ou escreveram sobre o assunto, inclusive eu mesma, mas o que agora tenho me perguntado é quem pode mais, a polícia ou os bandidos? Quem está mais preparado? A toda hora, presos evadem-se de delegacias e de presídios de segurança ?máxima?; armas somem de depósitos da polícia; e nas fileiras dos quartéis se infiltram os que usam a farda para cometer crimes contra os próprios colegas. Certamente há muito que fazer na questão da violência, mas aplaudo o governo pelo acerto em delegar a alguém de fora o comando da Defesa Social. Pelo menos estamos livres das nefastas ingerências políticas que tanto mal provocaram em tempos recentes. É só observar quem esperneia contra a presença do atual secretário e dos jovens delegados recém-nomeados. Não tenho dúvida também quanto a outro aspecto: tal como no caso da Educação, também na segurança não faremos nenhum progresso se, ao lado das medidas moralizadoras, não vier o reconhecimento salarial e o apoio material para quem tem arriscado ? e às vezes, perdido ? a vida em defesa da sociedade. (*) É escritora, atriz e poeta.