Opinião
O plano de seguran�a e a boca dura
Esta semana, testemunhei uma ação policial na praça do skate, na Ponta Verde, onde delinquentes tentaram assaltar uma loja de artigos esportivos. A polícia chegou na hora e, por infeliz coincidência, eu também. Houve correria, tiroteio, prisões e, no final, venceu a lei, que agiu de maneira eficiente e com atitude, a ponto de ser reconhecido por todos os presentes. Quando a temperatura baixou, refleti sobre o episódio e o projetei no clima de medo que contamina a maioria da população. A insegurança urbana está presente e as pessoas se sentem órfãs de proteção. Aliás, proteger a dignidade da pessoa, mediante a preservação de seus direitos, está escrito na Constituição de Alagoas. Não é favor nenhum. Dentro da minha reflexão, motivada pelas cenas que acabara de registrar, tornou-se inescapável associá-las às recentes manifestações infligidas por antiga autoridade policial. Quem se der ao cuidado de pesquisar os jornais alagoanos das décadas de 70 e 80 logo constatará a insignificância da violência urbana naquele tempo. A tranquilidade e as belezas naturais temperavam inclusive a divulgação turística da nossa terra. No meio da sociedade, essa autoridade, que sacava com frequência o discurso fácil do ?prendo e arrebento?, terminou mitificada. Agora, deparei-me com essa voz do passado fazendo proselitismo de seus feitos, deixando no ar a insinuação segundo a qual a solução para o drama do presente passa pela voz de comando resgatada de outras épocas não muito abonadoras. Se antes havia sossego nas ruas, pois a ladroagem e a ação criminosa produzida pelo tráfico de drogas não eram marcantes no cotidiano da comunidade, a mesma coisa não se pode afirmar em relação ao crime político e à omissão oficial diante de poderosos, com o manto protetor do Estado abrigando a ação covarde e violenta de certos segmentos. Foi por sucessivos atos de omissão que Alagoas presenciou o ?sindicato da morte? ceifar vidas inocentes. Não se dissipa da memória, por exemplo, a emboscada contra o jornalista Tobias Granja, morto a tiros na Rua Augusta, em 1982. Segurança pública não se faz com mitos nem boca dura, mas com planejamento, serviço de inteligência e qualificação profissional, além de homens e equipamentos nas ruas. Agindo assim e sem reduzir o orçamento da Polícia Militar para 2010, como consta no projeto remetido ao Poder Legislativo, o governo do Estado fará valer o texto constitucional e, quem sabe, permitirá ao cidadão perceber como rotina a cavalaria chegando na hora planejada pelos fora-da-lei. (*) É jornalista.