loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 27/08/2026 | Ano | Nº 6298
Maceió, AL
23° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Comportamento

O medo de envelhecer começa cedo

Ouvir
Compartilhar

É paradoxal falar sobre o medo de envelhecer entre os jovens, porque a juventude é um período da vida associado às possibilidades, às descobertas e aos novos caminhos. Entretanto, não é um período livre de inseguranças e ansiedades, porque nele o tempo também está passando e, diante da finitude cada vez mais evidente, surge a pergunta sobre se ainda haverá tempo para cumprir tudo aquilo que se esperava.

Bom, é preciso deixar claro que não é possível falar de todos os jovens como se eles compartilhassem a mesma experiência. Diferenças de classe, gênero, raça e orientação sexual atravessam a maneira como cada pessoa vivencia o tempo e projeta o futuro. Ainda assim, existe um elemento que parece atravessar muitas dessas experiências: a ansiedade diante da sensação de estar atrasado em relação à própria vida.

Aos 30 anos, essa cobrança pode ganhar uma dimensão ainda maior. A idade se tornou um marco simbólico em uma sociedade que parece estabelecer um cronograma para a vida. Há a ideia de que, aos 30, é preciso ter concluído a graduação, consolidado uma carreira, conquistado independência financeira, construído um relacionamento estável, adquirido uma casa, viajado e, de preferência, mantido um corpo saudável e uma aparência jovem. As redes sociais intensificam essa fantasia ao apresentar vidas aparentemente bem-sucedidas e sempre interessantes.

O problema é que esse roteiro não considera as condições concretas em que a vida acontece. Nos últimos anos, o custo da moradia aumentou e as relações de trabalho foram precarizadas, tornando a estabilidade financeira um objetivo difícil para muitas pessoas. Mesmo assim, questões estruturais são frequentemente apresentadas como falhas individuais. O jovem que continua morando com os pais pode se sentir incapaz, quando essa escolha ou necessidade também pode estar relacionada às condições econômicas. A pessoa que não alcançou estabilidade profissional pode acreditar que não se esforçou o suficiente, ainda que esteja inserida em um mercado cada vez mais inseguro.

Shorts Youtube
Play
Homem é morto a tiros dentro de academia #tvgazeta

Homem é morto a tiros dentro de academia #tvgazeta

Play
Na inauguração de comitê, Célia diz que Arthur “faz acontecer” em Alagoas

Na inauguração de comitê, Célia diz que Arthur “faz acontecer” em Alagoas

Play
Vasco vence em casa e sai com a vantagem - 27/08/2026

Vasco vence em casa e sai com a vantagem - 27/08/2026

Play
Palmeiras vence Santos por 3 a 0 na Copa do Brasil - 27/08/2026

Palmeiras vence Santos por 3 a 0 na Copa do Brasil - 27/08/2026

Play
Retrospecto do CSA fora de casa na Série D - 27/08/2026

Retrospecto do CSA fora de casa na Série D - 27/08/2026

É nesse ponto que precisamos questionar a ideia de sucesso que construímos. Em uma sociedade orientada pela produtividade, somos incentivados — ou forçados — a trabalhar mais, consumir mais, desenvolver novas habilidades, cuidar do corpo, melhorar nossa aparência e transformar cada experiência em uma espécie de conquista. Até o descanso foi incorporado à lógica do produtivismo e do desempenho, porque costumamos descansar para produzir melhor.

A juventude, nesse contexto, deixa de ser apenas uma etapa importante da vida e passa a funcionar como um tipo de capital. Energia, disposição, beleza e disponibilidade de tempo ganham valor de mercado. Envelhecer, então, passa a ser associado à perda de valor. Mas é necessário questionar a quem interessa essa desvalorização e o que ela revela sobre a sociedade contemporânea.

Relacionadas