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Opinião

Apag�o e apag�es

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Há duas semanas o Brasil foi surpreendido com um prolongado apagão. O ministro Edison Lobão tentou explicar. Fez suposições. Não convenceu. Especialistas contestaram. Apesar do caso ter sido dado por encerrado, constatamos a deficiência do sistema. Somos vulneráveis nos setores mais importantes de uma sociedade civilizada. Temos alarmantes índices de óbitos: recordista no trânsito e na violência; altas taxas de mortalidade infantil. Nosso País tem muito que aprender! Muito mais a corrigir! Muito a investir! Comissões, departamentos, núcleos de estudo são criados com peritos multidisciplinares visando o bem-estar dos brasileiros. Muitos, entretanto, além de mostrarem-se incompetentes, ainda conspiram contra os cidadãos. Há semanas a imprensa nacional destacou uma resolução absurda e até hilária: uma comissão convocada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) decidiu que toda população terá de trocar as tomadas de suas casas para se adaptar a um novo padrão com três pinos. A partir do próximo ano é obrigatório o uso do novo modelo nos produtos aqui fabricados ou importados. A alegação é investimento em segurança. Sugestões de adaptações simples não foram aceitas. Nossa tomada é conhecida como ?universal.? Ela aceita tanto o pino redondo usado na Europa e em mais 104 países, como também o método Americano com pinos retangulares adotado em mais de 40 nações. Teremos um sistema inédito que será um complicador. Técnicos alegam que o novo plano só será realmente seguro se as redes elétricas das habitações passarem por uma reforma completa. Imaginando a impossibilidade de todas as casas brasileiras se adequarem à nova exigência, e conhecendo a criatividade de nosso povo, teremos uma estrutura elétrica vulnerável em milhares de residências, além de frequentes acidentes. Com muita propriedade afirmou uma jornalista numa revista semanal de circulação nacional: ?E tem sempre um comitê há abrigar especialista em tudo, menos em bom senso?. Faz-nos lembrar a obrigatoriedade dos estojos de primeiros socorros nos automóveis. Num País que carece de tanta educação e saúde, reverter as taxas assustadoras de violência, modificar o que já está aprovado há mais de 30 anos, reflete a falta de compromisso e bom senso de nossos gestores. (*) É médica e empresária de turismo.

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