Editorial
Mudança de rota
O governo federal anunciou ontem a proposta de Orçamento para 2027 com a previsão de um superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões. O número representa uma mudança em relação à estimativa de déficit e é apresentado pela equipe econômica como resultado do esforço de contenção de despesas. O dado, porém, não deve ser interpretado como solução para o desequilíbrio das contas públicas.
O resultado efetivo ainda fica abaixo da meta oficial de R$ 73,2 bilhões e, sobretudo, é insuficiente para enfrentar o problema estrutural do elevado endividamento público. Para estabilizar a relação entre dívida e PIB, o País precisa de resultados fiscais mais robustos e persistentes, especialmente em um cenário de juros elevados.
O principal desafio está nas despesas obrigatórias, que devem representar 91,7% dos gastos previstos para 2027. Previdência, pessoal e benefícios vinculados ao salário mínimo comprimem o espaço para investimentos e políticas públicas. Sem mudanças capazes de conter essa trajetória, o ajuste continuará recaindo sobre uma parcela cada vez menor do orçamento.
É necessário construir uma trajetória sustentável para a dívida, controlar o crescimento dos gastos e preservar recursos para investimentos. O próximo governo terá de enfrentar esse problema com medidas estruturais, e não apenas com ajustes pontuais.
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