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Um monstro chamado “crack”

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Por diversas vezes, tenho trazido o tema das drogas, como reflexão, por entender a complexidade do assunto e, principalmente, por me sensibilizar com os dramas familiares vividos por culpa desse monstro que tem assombrado lares, cidades e países inteiros. Já comentei, em outros momentos, que a própria ONU, por meio de seu comitê de combate à droga, vem dando seus primeiros sinais de que podemos perder essa luta. Entretanto, antes de falar em crack, conto-lhe que para se chegar a esse vício, o inicio é, quase sempre, o uso da maconha. Diretor do Centro de Ciências Biológicas (Ufal), na década de 70, trouxe a Maceió o professor Ribeiro do Vale, então chefe do departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina (SP). Ele nos contou que em seu laboratório mantinha um pequeno plantio de maconha, para experiências medicinais. Certo dia, o diretor mandou chamá-lo. E foi incisivo: Ribeiro, acabe com a plantação de maconha. E acrescentou: um funcionário nordestino, que conhece essa planta, fez delas uns cigarrinhos; acabou de cair do segundo andar e apresenta várias fraturas expostas. Recentemente, no Rio de Janeiro, uma passeata de defensores da descriminalização da maconha tinha a frente o ministro do meio ambiente. Nas últimas semanas, vi, ouvi e li tantas atrocidades em torno dessa outra droga chamada crack, que não posso deixar de trazer um pouco de minha preocupação. É preciso fazer alguma coisa, imediatamente, ou todos seremos vítimas disso em algum momento. Digo vítimas, não porque somos potenciais usuários, mas, porque, de alguma forma, conhecemos alguém que conhece alguém que a utiliza, ou porque a cidade já abriga um ?exército? de meninos e meninas de rua que fumam crack para esquecer a fome ou as agruras da própria vida. Dados técnicos apontam que seu efeito é sentido em pouco mais de 10 segundos e que uma única pedra é capaz de viciar. Ao passar seu efeito, o usuário de crack é acometido de sensações que vão desde dores físicas e depressão a estado de fúria. Para cessar tão grande sofrimento, rouba-se e fuma-se, mata-se e fuma-se, prostitui-se e fuma-se. É preciso perguntar: quem está a salvo desse vaivém descompensado de loucura? O caso do rapaz de classe média carioca que matou a namorada e adormeceu ao seu lado mostrou, ao menos, uma das faces desse monstro que tem destruído famílias e sonhos. É impossível fechar os olhos para esse grave problema. (*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.

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