Editorial
Antecipação
A confirmação de que o El Niño está firmemente estabelecido e poderá atingir intensidade muito forte nos próximos meses deve servir de alerta para governos e sociedade. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, há probabilidade próxima de 100% de que o fenômeno persista até fevereiro de 2027, com potencial para alterar os regimes de chuva e temperatura e ampliar riscos de secas, inundações e calor extremo.
Para Alagoas, a perspectiva merece atenção especial. Mais de 40 municípios estão inseridos no semiárido e 32 já decretaram situação de emergência em razão da seca. A possibilidade de redução das chuvas, sobretudo no Agreste e no Sertão, pode agravar a estiagem, comprometer os reservatórios, pressionar o abastecimento de água e trazer prejuízos à agricultura e à pecuária.
Nesse cenário, a decisão do governo estadual de antecipar-se aos possíveis efeitos do fenômeno é correta. A criação de um comitê interinstitucional, reunindo órgãos das áreas de meio ambiente, recursos hídricos, agricultura, saúde, infraestrutura, assistência social e Defesa Civil, permite integrar informações e preparar respostas antes que os problemas se agravem.
É preciso transformar monitoramento em ações concretas. A prevenção não elimina os efeitos de um fenômeno climático de grande escala, mas pode reduzir significativamente seus impactos.
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