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Crep�sculo da vida

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Vida! Uma dádiva de Deus, e todos os seres vivos, do mundo animal, vegetal, não importa, têm a característica comum de começo, meio e fim, ou seja, nascemos, vivemos e morremos. No caso de nós seres humanos, costumo dizer que viemos ao mundo com o destino pré-traçado, porém, Deus nos dá o livre arbítrio de melhorarmos ou piorarmos esse destino, isso dependerá das nossas ações, atitudes, ritmo de vida, enfim, nosso comportamento; independente de riqueza ou pobreza no sentido monetário, mesmo que uns saboreiem fortuna, e outros amarguem miséria, somos todos irmãos, todos filhos de Deus, dizem! O crepúsculo da vida, na minha ótica, inicia-se ao entrarmos na denominada terceira idade. Nesse momento iniciamos o balanço do que vivemos, das conquistas e dos prejuízos, olhando para trás e vendo o que de bom ou ruim germinamos no percorrer da estrada da vida. É chegada a hora, de entender que as ovações e os aplausos da torcida tendem a diminuir até desaparecerem e, antes que sejam substituídas por vaias, temos que nos preparar para pendurar as chuteiras. É difícil cara! É muito difícil! Você sente que não existe mais tempo de consertar o errado e nem concluir o sonho ainda não realizado. Quem viveu uma experiência dentro dos seus parâmetros satisfatórios, deixando uma história e boa parte das metas cumpridas, de emoções, amores, trabalho profícuo e honesto, solidariedade, senso do dever devidamente concluído embora com suas falhas, erros e acertos o que é natural, crê que o crepúsculo da vida lhe dará alegrias ao lembrar com saudades a trilha percorrida. Será que é assim mesmo? Ou a sensação é de derrota ao perceber a impotência para novos voos, o silêncio da torcida e as velhas chuteiras amarrotadas e penduradas em um cabide qualquer, a impressão é que o tempo de jogo acabou. Pode até ser, porém, se você construir uma história digna, com certeza essa história lhe dará forças de sentir-se vivo e vivo ainda ficará por algum tempo após vida terrena. Eu, dentro das minhas 67 primaveras, cheguei ao crepúsculo da vida. Confesso que em alguns momentos sinto medo; sinto uma sensação de derrota ao perceber que as forças começaram a ter limites. De repente, como um passe de mágica, vem um filme em minha mente e eu vislumbro meus super-heróis da infância e digo para mim mesmo: Não tenho que ter medo desse tal crepúsculo, pois eu construí, com erros e acertos, uma vida digna e solidária, principalmente. E ele, o crepúsculo, tem que me respeitar! Vamos em frente Geraldinho, você ainda tem muito chão muita coisa para deixar de bom. (*) É bacharel em História e empresário.

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