Editorial
Um país ainda em construção
Nesta segunda-feira (7), o Brasil comemora os 204 anos de sua independência. Nesse período, o país passou por profundas transformações: consolidou seu território, ampliou a participação política, universalizou o acesso ao ensino fundamental e construiu uma rede de proteção social que contribuiu para reduzir a pobreza. Dados recentes mostram avanços importantes: entre 2023 e 2024, 8,6 milhões de brasileiros saíram da pobreza, enquanto a taxa de analfabetismo caiu para 4,9% em 2025.
Mas celebrar a data também significa reconhecer o que ainda impede o país de ser plenamente desenvolvido. A desigualdade de renda e de oportunidades permanece profunda, o acesso a serviços públicos de qualidade é desigual, e a educação ainda convive com diferenças expressivas de acesso e permanência. O mercado de trabalho, embora tenha avançado, continua marcado pela informalidade e por disparidades que atingem principalmente os grupos mais vulneráveis.
A verdadeira independência, portanto, não se resume à soberania conquistada há mais de dois séculos. Ela exige a capacidade de garantir liberdade, dignidade e oportunidades para todos. Aos 204 anos, o Brasil tem motivos para reconhecer suas conquistas, mas também o dever de enfrentar, sem complacência, as desigualdades históricas que ainda limitam seu futuro.