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Opinião

Nobel da guerra?

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Ao receber o Prêmio Nobel da Paz, em Oslo, há dois dias, o presidente dos Estados Unidos causou polêmica e reacendeu um debate explosivo: o da ?guerra justa?. Obviamente, a fala de Obama, na condição de presidente de uma superpotência que mantém tropas em duas guerras, em curso, agradou aos espíritos belicistas americanos, dissipando os temores de que o premiado, estimulado pelos fluidos pacifistas da medalha, pudesse proferir oração com algum compromisso de paz real. Ao defender as atuais invasões americanas a dois países estrangeiros e reafirmar posições semelhantes ao agressivo governo Bush, a Casa Branca confirmou à poderosa indústria bélica americana que a escrita não mudará tão cedo. Para quem efetivamente aposta num esforço verdadeiro pela paz, o discurso do primeiro presidente negro dos Estados Unidos ?deu um branco?, fazendo empalidecer as esperanças de alguma mudança no horizonte. Porém, não se pode cobrar do presidente americano compromissos que ele nunca se propôs a assumir. É um sonho ingênuo imaginar alterações significativas, espontâneas, na estrutura militarista da única superpotência mundial. A história da humanidade não registra potências pacifistas, nem mesmo nas relações entre tribos primitivas. Obama, com sinceridade, expressou o posicionamento de uma superpotência que não deseja deixar de ser a dona do mundo e que está consciente e disposta, como todas as outras antes dela, a seguir usando a mão armada para resolver pendências a seu favor. Os privilegiados eleitores do Nobel, talvez, precisem repensar seus critérios, no caso de quererem efetivamente utilizar a premiação como um instrumento eficiente de estímulo ao pacifismo. Ou, talvez, precisem deixar claro que a medalha tornou-se um ícone fashion, independente do sentido original ? pelo menos em termos de paz.

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