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Opinião

O Flamengo e o Prohosp

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O Flamengo acaba de conquistar mais um título. CSA desde o espermatozóide, a opção pelo Fluminense do Rio nasceria de uma salutar rivalidade entre irmãos. O mais velho, Robson, num dia de Fla x Flu, lá pela metade do fim do século, não me deixou outra alternativa ao escolher prioritariamente o rubro-negro da Gávea. Naqueles tempos, o mais querido do Brasil iniciaria uma arrancada para levantar o célebre tricampeonato (53-54-55) com Garcia, Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Rubens, Índio, Benitez e Esquerdinha. Algum tempo depois, o alagoano Dida (oriundo do CSA) substituiria Benitez e, se não me engano, Índio cederia o lugar a Henrique. Na ponta esquerda, Zagalo e Babá, nos anos subsequentes, fariam ala com o alagoano. Sem ser fanático, o Flamengo seria o meu segundo clube para torcer. A grande força da comunicação era o rádio. O crescimento das torcidas ? sobretudo por times cariocas ? tem uma dívida impagável com locutores de estilos variáveis, a começar pelo passional Ary Barroso, passando por Fiori Gigliotti, Edson Leite, Jorge Cury, Oduvaldo Cozzi e Doalcei Bueno, dentre outros. Depois despontaria a descrição cadenciada de Valdir Amaral, um revolucionário da arte. Em Alagoas, salvo engano, Haroldo Miranda e o bebedourense Jorge Vilar formam a dupla de pioneiros, modelo para os vibrantes Arnoldo Chagas, Sabino Romariz, Edson Mauro, Arivaldo Maia e mais uma dezena de grandes narradores. A despeito das amarguras com o glorioso Centro Sportivo Alagoano, o futebol da nossa terra depende muito do entusiasmo dessa gente. Falava da força do Flamengo através dos tempos, da sua fiel e apaixonada torcida que no domingo encheu o Maracanã e marcou presença em todos os aparelhos de TV espalhados Brasil afora. Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer, diz o hino de Lamartine Babo. Infelizmente, na esteira da explosão de felicidade pela histórica virada, torcedores levaram ao paroxismo a letra de Babo. De fato, os serviços de emergência do Estado ficaram bombados. Em clima de desespero, incapaz de atender à demanda e escoar os doentes, mais uma vez ficariam expostas as profundas fissuras do nosso HGE. Entre mortos e mutilados ficou claro o fracasso dos chamados Prohosp, ?contratualização?. Mal conduzidos, não passam de enganoso proselitismo promocional. A definitiva verdade é que, nos moldes atuais, a contratualização provou ser instrumento danoso à saúde dos alagoanos. (*) É médico e professor da Ufal.

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