Opinião
Copenhague em foco
Como esperado, o debate em Copenhague segue muito longe de um entendimento razoável. Consenso, nem pensar! Duas questões, grosso modo, atravancam a busca de soluções universais. Como obstáculo número um, pontifica o oportunismo político-ambiental, ou seja, os países mais poluidores (e mais poderosos) querem defender o meio ambiente às custas do próximo. Ou seja, os países que ainda não alcançaram altos níveis de crescimento econômico devem abrir mão de suas pretensões desenvolvimentistas. E, de preferência comprar, a peso de ouro, equipamentos e ?tecnologias? dos países mais poluidores, agora ?convertidos? em salvadores da natureza. O segundo obstáculo ao entendimento é a parafernália de modismos e embandeiramentos distanciados da ciência. Os próprios números sobre o aquecimento global foram colocados em dúvida, de forma séria e respaldada em dados científicos, às vésperas do encontro de Copenhague. E respostas satisfatórias não foram dadas às desconfianças acerca da manipulação de dados. Naturalmente, não se trata de substituir uma manipulação por outra (e em sentido contrário) e passar-se a esgrimir teses de que inexiste aquecimento global, que o mundo aguenta toda poluição que sejamos capazes de produzir. A defesa do ?desenvolvimento contra a natureza? é insustentável. E, a bem da verdade, não se nota ninguém defendendo semelhante crime (como no passado nem tão distante assim). Mas os modismos, a manipulação de dados, a intransigência dos países mais poderosos e mais poluidores, precisam ser enfrentados como mais unidade pelo resto do mundo. E Copenhague, agora, é o local certo para tal embate. Recuperar o espírito inovador da Eco-92 (realizada no Rio de Janeiro) ajustando as metas à realidade contemporânea, é o grande desafio de Copenhague.